Carioca cria projeto que oferece companhia para mulheres e idosas em momentos de lazer


O projeto ‘Neta Por Acaso’ busca aliviar um pouco da solidão da terceira idade e levar independência para as mulheres que não têm companhia para sair. Projeto oferece atendimento personalizado de lazer para mulheres e idosas
Reprodução/Arquivo pessoal
Uma carioca de 44 anos desenvolveu um projeto que oferece companhia em momentos de lazer para mulheres e idosas. Chamada de Neta Por Acaso, a iniciativa busca aliviar a rotina e a solidão de uma parcela do grupo feminino, além de incentivar a independência da terceira idade.
Entre as atividades propostas estão idas ao shopping, cinema, restaurantes e praias, mas a idealizadora Juliana Rocha Miranda garante que a escolha é da cliente que contrata o serviço. De acordo com ela, o projeto Neta Por Acaso exerce “o papel de amiga”.
“A ideia é proporcionar entretenimento, experiências de vida e de lugares, novos ares. Um dia, uma tarde de caminhada, um restaurante novo. Qualquer coisa que elas queiram vivenciar. Elas sabem que elas vão poder jantar e vão poder contar comigo”, explicou a idealizadora.
A iniciativa surgiu dentro da própria família da advogada. Moradora de Barra da Tijuca, na Zona Oeste, ela se inspirou na vivência da própria avó, de 92 anos, para começar o projeto. Com o casamento dos filhos, a idosa acabou um pouco mais sozinha e sentiu falta de companhia para sair.
“A inspiração foi a minha avó, que sempre foi uma referência na minha vida, muito batalhadora e sempre com vontade de viver. Há um tempo, eu tive insight, porque ela sempre reclamava que a vida dela é um tédio e realmente com a correria do dia a dia da própria na minha família, a gente percebia que realmente, coitada, ela estava ficando muito sozinha em casa”, contou a advogada.
Em cinco meses, o projeto já atendeu cerca de 10 mulheres e idosas de forma presencial. Com atendimento personalizado, a hora de cada saída custa em média R$ 100, mas o valor é determinado com antecedência, segundo a idealizadora.
Para Juliana, muitas mulheres acabam sozinhas, sem diversão, por falta de companhia.
“Às vezes não há aquela companhia agradável de sair, ir até um lugar, um restaurante legal. Ela tem a condição financeira, mas não tem companhia para isso”, destacou a advogada.
Além do atendimento presencial, a Neta Por Acaso também atende de forma remota. Durante a pandemia do novo coronavírus, as visitas ficaram restritas e um dos jeitos de manter contato foi por telefone. Não há cobrança de valor pelo serviço à distância.
Ao G1, uma das clientes contou como foi a experiência com o atendimento personalizado. Depois da morte do marido, a dona de casa Marcela de Souza Medeiros, de 69 anos, teve que lidar com a solidão de morar sozinha no interior de São Paulo. Mas, com a ajuda da tecnologia, a idosa encontrou o projeto.
“Eu me sentia muito sozinha. Tenho meus filhos e minhas netas, eles me dão atenção, mas eu fiquei viúva. Eu optei por morar sozinha, isso foi uma opção minha, só que para mim estava sendo difícil. A Juliana me deu muita atenção, explicou, falou o nome de muitos livros, começamos a conversar. Nós passamos acho que uns 40 minutos conversando e desde o começo ela sempre me dando pela atenção. Para mim, achar a Neta Por Acaso foi um achado maravilhoso”, elogiou a dona de casa.
A idealizadora do projeto contou que, além do serviço, cultivou amizades durante os meses iniciais.
“Tenho criado um círculo de amizades com as próprias avós, então antes do passeio eu já sou bem amiga delas, não é uma coisa estranha, pelo contrário”, acrescentou a advogada.

By Negócio em Alta