Aumento crescente de infectados pelo novo coronavírus pressiona rede de saúde do Pará

Comprados na China, 152 respiradores chegaram no início da semana, mas o governo do estado disse, nesta sexta (8), que os equipamentos ainda não foram usados porque apresentam problemas.
Em Belém, os leitos de UTIs chegam a 93,6% de ocupação
A ocupação dos leitos de UTI no sistema público de saúde do Pará chegou a quase 94%.
A despedida de mais uma vítima da Covid-19 aconteceu em São Sebastião da Boa Vista, na Ilha do Marajó. Marília tinha 35 anos e estava grávida de 10 semanas. O marido conta que ela precisava ser transferida do hospital municipal para um leito de UTI, em Belém, mas o resgate não veio a tempo.
“Quando a gente conseguiu um leito, dificultou o transporte, ficaram iludindo a gente, que vinha lancha, que vinha resgate, não veio nada, quando chegou já era tarde. Ela faleceu perto de mim”, lamentou.
O aumento crescente no número de infectados pelo novo coronavírus pressiona a rede de saúde do Pará. No hospital referência para Covid-19, o movimento de pacientes com os sintomas da doença é intenso, todos os dias. Os leitos de UTI estão sempre ocupados.
A mãe da estudante Hayla Bordalo tinha acabado de se internar. A filha conta que ela piorou nos últimos dias.
“Ela está com muita falta de ar, a falta de ar dela não cessa. É o tempo todo. A gente vem aqui, dão um remédio e mandam ela voltar pra casa”, conta a estudante.
O engenheiro de vendas Diego Gomes saiu do município de Santa Isabel, na região metropolitana. É o avô dele que não está bem.
“Ele teve um quadro de piora nesses últimos dois dias, e a gente resolveu trazer ele para o hospital”, conta.
A Covid-19 também sobrecarrega os leitos de hospitais particulares. O pai da Silvia não recebeu atendimento quando mais precisou.
“Um idoso sufocando com falta de ar, não fizeram o atendimento dele. Meu pai foi atendido, mesmo tendo plano de saúde, meu pai foi atendido, internado e veio a falecer em um hospital público”, diz.
Os leitos de UTI estaduais apresentam 93% de ocupação. Cento e cinquenta e dois respiradores comprados da China chegaram no início da semana para ampliar os atendimentos de urgência em sete hospitais públicos estaduais. Mas o governo do estado disse, nesta sexta (8), que os equipamentos ainda não foram usados porque apresentam problemas.
O cenário é dramático. Fiscalizações se repetem em dois dias de bloqueio total. Só atividades essenciais podem funcionar. As restrições afetam quase 2,7 milhões moradores em Belém e mais nove cidades do Pará.
A partir do domingo (10), quem sair de casa sem comprovar a necessidade e descumprir o decreto de ‘lockdown’ pode ser multado em R$150. Anderson Carneiro saiu de casa para comprar comida e reconhece a importância do isolamento para diminuir a contaminação.
“Perdi dois tios em cinco dias. Um sábado e outro ontem. É complicado isso. Está bem triste”, lamentou.

By Negócio em Alta