Aulas de dança fitness espalharam novo coronavírus na Coreia do Sul, aponta estudo


Autores recomendam que atividades físicas intensas confinadas em espaços fechados sejam ‘minimizadas’ durante epidemias. Academia de ginástica reaberta na semana passada em Colônia, na Alemanha, em foto de 11 de maio
Thilo Schmuelgen/Reuters
Pesquisadores do Hospital Universitário Dankook, da Coreia do Sul, identificaram que 112 casos de Covid-19 estão associados a aulas de dança fitness na cidade de Cheonan ocorridas em fevereiro. A pesquisa acende um alerta sobre a reabertura precoce de atividades intensas em academias de ginástica (leia mais no fim da reportagem).
O estudo, publicado no periódico “Emerging Infectious Diseases” (Estados Unidos), rastreou as infecções pelo novo coronavírus durante 24 dias. Todas levaram a um curso para instrutores de dança fitness ministrado em 15 de fevereiro para 27 profissionais.
Nesse curso, havia oito professores infectados. Esses instrutores, então, transmitiram o Sars-CoV-2 aos alunos em 12 academias diferentes. Além deles, familiares e colegas dos infectados também foram contagiados com o vírus.
Como se proteger na academia de ginástica? É melhor evitar? E esportes?
Ou seja, de oito professores diagnosticados com Covid-19…
60 alunos foram infectados diretamente pelos professores
38 pacientes contraíram o vírus em casa a partir dos alunos ou instrutores
17 casos são de pessoas que trabalhavam ou se encontraram com os infectados em outros locais
A pesquisa ressalta que os instrutores estavam todos assintomáticos durante o curso — em média, os infectados avaliados pelo estudo só apresentaram sintomas da Covid-19 três ou quatro dias depois das aulas de dança fitness.
Além disso, o documento mostra que, no total, 217 alunos estiveram expostos ao vírus porque frequentaram as academias onde os casos se disseminaram. Isso significa que entre 21% e 32,5% das pessoas que frequentaram as unidades enquanto ainda estavam abertas acabaram contraindo o novo coronavírus.
Risco em academias
Funcionária desinfeta esteira em academia reaberta de Pequim,na China, em foto de 8 de maio
Thomas Peter/Reuters
A pesquisa aponta para um risco na retomada das atividades de alta intensidade em academias de ginástica. Segundo os autores, as aulas de dança ocorriam em lugares fechados e com grande número de alunos — de 5 a 22 pessoas em um espaço de apenas 60m², em média, durante 50 minutos.
“A umidade e a atmosfera quente em uma academia combinadas com ar turbulento gerado por exercícios físicos intensos podem causar transmissão mais densa de gotículas isoladas”, diz o texto.
Em 11 de maio, o presidente Jair Bolsonaro incluiu academias de ginástica no rol de “atividades essenciais” que podem ser retomadas durante a pandemia. Porém, algumas autoridades municipais e estaduais mantiveram a proibição de reabertura para esses estabelecimentos.
Ainda que o governo federal estabeleça quais atividades podem continuar em meio à pandemia, o Supremo Tribunal Federal (STF) já decidiu que cabe aos estados e municípios o poder de estabelecer políticas de saúde – inclusive questões de quarentena e a classificação dos serviços essenciais.
Ou seja, na prática, os decretos presidenciais não são uma liberação automática para o funcionamento de serviços e atividades.
Práticas como o pilates ajudam a fortalecer a estrutura pélvica
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Os pesquisadores também observaram que aulas de práticas mais leves como yoga e pilates ocorridas nas mesmas salas não tiveram transmissão do vírus — o que indica que essas atividades oferecem menos risco do que outras de maior intensidade.
Além disso, os autores ponderam que uma limitação para a pesquisa está na impossibilidade de rastrear todos os visitantes nas academia — o que significa que outros casos podem ter se pedido ao longo da pesquisa.
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By Negócio em Alta