Após pedido de lockdown, governador do AM diz que medida requer divisão de responsabilidades entre órgãos


Alternativa proposta por Wilson Lima é estabelecer medidas como uso obrigatório de máscaras para população e horários específicos para que pessoas saiam de casa. Governador sugere medidas mais restritivas.
Reprodução Rede Amazônica
O governador do Amazonas, Wilson Lima, disse em entrevista à Rede Amazônica nesta quarta-feira (6) que caso a Justiça seja favorável ao pedido do Ministério Público do Estado (MPE-AM) de lockdown, ou seja, o bloqueio total de circulação de pessoas, será necessário dividir responsabilidades com órgãos de todas as esferas.
O governador disse que defende um modelo de isolamento social que mantenha o funcionamento de serviços essenciais e o reforço em ações de fiscalização e conscientização da população. Uma alternativa proposta por Wilson Lima é estabelecer medidas como o uso obrigatório de máscaras para toda a população e estabelecimento de horários para que as pessoas saiam de casa.
“Esse pode ser um caminho que a gente pode seguir com o MP e a prefeitura. Estabelecer medidas mais restritivas. Se vai ao supermercado, vai só uma pessoa da família, não permita que idosos e crianças saiam de casa. São medidas que a gente pode modelar para que a gente possa adotar no Estado do Amazonas”, disse.
Até esta quarta-feira (6), número de casos confirmados no Amazonas já ultrapassa 9 mil, com mais de 700 mortes. Para reduzir essa curva de crescimento, o MP entrou com pedido de lockdown na terça-feira (5), mas a Justiça ainda não deu parecer.
“O que eu defendo é uma modelagem nesse processo em que a gente aumente a rigidez do isolamento social, mas preserve alguns serviços que não podem parar, como os supermercados, farmácias, indústrias, principalmente as indústrias que trabalham com a fabricação de insumos e outros equipamentos, que são fundamentais para o combater a Covid. Esses não podem parar”, disse o governador.
O prefeito de Manaus, Arthur Neto já havia se pronunciado nesta quarta-feira (6) sobre o pedido do MP, e considerou a adoção do lockdown uma medida arriscada. Em nota, Arthur sugere que “deveria haver uma reunião mais ampla, envolvendo o prefeito e o governador”.
“Proponho, desde já, a troca do lockdown, talvez impossível – em plena garantia da lei e da ordem – de ser efetivamente implementado e sugiro adotarmos medidas mais rígidas que forcem a adesão das pessoas ao isolamento social, sem a decisão extrema e arriscada do lockdown”, comentou Arthur.
População não respeita isolamento
Um levantamento da empresa Inloco, que desenvolveu o Índice de Isolamento Social mostrou que no primeiro mês de quarentena no Amazonas, apenas 52,2% da população respeitou a recomendação de isolamento social como prevenção ao novo coronavírus. O levantamento foi realizado de 21 de março – quando o governo decretou a suspensão de serviços não essenciais – até 21 de abril. Neste período, o número de casos de Covid-19 subiu de 7 para 2.270 no estado.
Os dados são coletados por meio da função de geolocalização de dispositivos móveis através da integração da empresa com aplicativos de parceiros. O governador Wilson Lima reforçou a necessidade de a população fazer a sua parte e ficar em casa. Segundo ele, na segunda-feira (4), barreiras físicas foram colocadas em algumas ruas, impedindo o acesso das pessoas no Centro de comercial de Manaus.
Ainda segundo o Governo, tem acontecido de a polícia fechar o estabelecimento e o comerciante reabrir, por conta própria, o que é preocupante, por conta do efetivo policial reduzido. Em entrevista à Rede Amazônica no dia 1º, Wilson Lima chegou a dizer que o governo estadual pode determinar o fechamento total do comércio caso os números de Covid-19 no Amazonas não apresentem redução até o dia 13 de maio.
Se o lockdown for aceito, essas medidas caem, já que o prazo inicial para que vigore o bloqueio total é de dez dias. Nesta quarta-feira (6), o governador disse que a retomada do comércio está condicionada à diminuição dos casos e ao aumento da rede de atendimentos da área de saúde.
“Apresentamos um planejamento para a retomada gradual das atividades do comércio e do retorno da normalidade da vida das pessoas, mas isso só vai acontecer levando em consideração o declínio da curva, a diminuição dos casos e o aumento da capacidade de atendimento”, concluiu Wilson.
Initial plugin text
Coronavírus: Ministério Público do Amazonas pede lockdown em Manaus
Initial plugin text

By Negócio em Alta