
No dia delas, mães do Triângulo e Alto Paranaíba, Zona da Mata e Centro-Oeste relatam experiência de passar mais tempo com os filhos. Psicopedagoga diz que período tem contribuído para estreitar relações O Dia das Mães é comemorado no Brasil neste domingo (10). Em razão da pandemia do novo coronavírus, no entanto, a data será celebrada e vivida de forma diferente, como tem acontecido nos últimos 50 dias.
Por isso, o G1 conversou com mães das regiões do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, Zona da Mata e Centro-Oeste de Minas para entender como está sendo a experiência e a realidade de cada uma delas.
Diante dos protocolos de isolamento domiciliar e distanciamento social, elas têm ficado mais tempo em casa e aproveitado para curtir a família, o que para elas tem sido o grande presente em um momento complicado.
Juliana e a família estreitam laços durante a pandemia em Patrocínio
Juliana Ferreira dos Anjos/Arquivo pessoal
Juliana Ferreira dos Anjos tem 37 anos e mora em Patrocínio. Funcionária pública estadual, ela é mãe de Lara, 10 anos, Luísa, que tem cinco, e Henrique, de apenas um ano.
Segundo ela, a nova realidade imposta pela pandemia já se refletiu neste Dia das Mães, tanto como mãe, quanto como filha e neta.
“A primeira coisa que foi diferente foi que não aconteceram as comemorações na escola. Todo ano a escola sempre faz um evento, algo assim, para a data. Estamos em casa, sem sair, sem ter contato. Elas (crianças) vão passar comigo mesmo, mas não sei ainda se vou ver minha mãe, minha avó. Provavelmente, vai ser sem presente também, porque a situação financeira mudou um pouco, por conta do comércio fechado, sem saber se o salário será em dia. As meninas estão sem a mesada delas. Vai ser uma comemoração bem simples mesmo”, declarou.
No entanto, o presente tem vindo diariamente. Juliana afirma que a interação entre as crianças e ela tem sido ainda mais constante. Além das brincadeiras e do uso das ferramentas virtuais, como aplicativos de mensagens, a relação se fortaleceu também fisicamente, no acompanhamento escolar e nas brincadeiras.
A mamãe reconhece que é cansativo, mas afirma está feliz por poder acompanhar os filhos mais de perto nos estudos e na parte lúdica.
Henrique, Lara e Luísa estão aproveitando a presença da mamãe em casa
Juliana Ferreira dos Anjos/Arquivo pessoal
“Mudou muito. Eu sempre acompanhava as meninas nas atividades de casa, como reforço. Agora tenho que estudar junto, principalmente com a Lara, a mais velha. Tenho até que reaprender o conteúdo, porque muitos nem lembro mais para ensiná-la. Estou acompanhando de perto o processo de alfabetização da Luísa. Faço as atividades completas com elas. Antes era na escola, agora é em casa”, contou.
“Por mais que seja desgastante para mim e para elas, estou ficando mais tempo e também brincando mais com elas. As atividades que vêm da escola não são apenas de registro em caderno, muitas coisas são lúdicas. Tenho que tirar um tempo para brincar com elas, coisa que não fazia antes”, acrescentou.
Em Divinópolis, a quarentena está sendo aproveitada com muita alegria e descontração. Elaine Nogueira é mãe de Arthur, que recentemente completou sete anos.
Além de ajudar o filho com as tarefas da escola, a gerente comercial de 38 anos usa o tempo para fazer as vontades de garoto. Os brinquedos de montar espalhados pelo chão e as comidas preferidas do filho, brigadeiro e pipoca, ganharam espaço na agenda diária de Elaine.
Elaine tem participado mais da rotina de Arthur, tanto na escola, quanto nas brincadeiras
Elaine Nogueira/Arquivo pessoal
Ela tem trabalhado no comércio às segundas, quartas e sextas, mas até poucas semanas atrás estava totalmente isolada em casa. Elaine afirma que fazia tempo que Arthur e ela não podiam se curtir tanto como agora.
“A vida é muito corrida, e a gente só teve esse tempo todo com ele quando o Arthur era bem bebezinho. Coloquei ele na escola com cinco meses. Nem mesmo nas minhas férias de trabalho eu conseguia ficar assim agarrada com ele igual nessa quarentena”, destacou.
“Antes ele chegava em casa mais estressado, cansado após a escola. E agora está sendo muito gostoso, a gente pode compartilhar mais. É mais abraço, mais beijo, a gente pode ficar acordado até um pouco mais tarde. Estamos curtindo bastante. Ele vê que tenho mais atenção para ele. O Arthur é sentimental, afetuoso e é muito bom ter este tempo para os nossos filhos”, completou.
Quarentena tem sido de amor e sorrisos em Divinópolis
Elaine Nogueira/Arquivo pessoal
Comemoração dupla, presente especial
A data será duplamente comemorada pela mamãe Luciana, em Juiz de Fora. Além de festejar o Dia das Mães, ela faz aniversário. Por isso, os filhos Pablo e Letícia Salgado Goulart aproveitaram o tempo em casa e resolveram fazer uma surpresa.
Eles conversaram com o pai, Marcos, as tias e outros familiares para saber como Luciana era quando criança, passando pela adolescência e chegando à fase adulta. Isso tudo, aliado às memórias dos dois irmãos, possibilitaram a criação de uma linha do tempo.
Letícia e Pablo prepararam presente para a mãe durante a quarentena
Letícia Salgado Goulart/Arquivo pessoal
Letícia, que tem 18 anos, ficou satisfeita com o trabalho produzido ao lado do irmão e se diz gratificada por poder retribuir o amor da mãe com essa surpresa.
“Deixamos em ênfase a pessoa que ela é, quais os valores e as características principais. Ela nos representa força, dedicação e amor, sempre foi uma mãe muito presente, colocando sempre como prioridade a nossa felicidade. Já falei diversas vezes que quero ser como ela quando eu for mãe, porque ela nunca deixou a desejar como mãe e, além disso, é um exemplo como pessoa de caráter, afeto e empatia”, contou.
Surpresa foi entregue neste domingo
Letícia Salgado Goulart/Arquivo pessoal
Pablo, de 20 anos, reforçou as palavras da irmã. Para o estudante de Engenharia de Produção, a mamãe é carinhosa na medida certa e não deixa de chamar a atenção dos filhos quando necessário.
“Ela como mãe é algo próximo do indescritível. Ela é minha confidente, conselheira, amiga, carinhosa, sabe os momentos certos de dar aquele puxão de orelha (risos). Não poderia ter dia melhor para ela fazer aniversário do que no Dia das Mães, porque além de tudo que ela faz brilhantemente, ela é uma mãe excepcional”.
‘Mãe é laço’
O trabalho acima foi orientado e estimulado pela psicopedagoga Cristina Coronha. Ela afirma que existe uma mística no amor que une mãe e filho. Segundo ela, “mãe é matriz, condição, conexão, laço, união”.
A profissional, que também é orientadora vocacional, professora e consultora educacional, acredita que a quarentena tem estreitado os laços entre as pessoas, especialmente entre mães e filhos. Cristina explica que essa relação tem aspectos próprios, que variam de acordo com cada fase da vida da criança.
“Um bebê, por exemplo, sente a mãe como se fosse ele mesmo. O universo dele está concentrado nesta figura. Como para ele só existe aquilo que se pode ver, sentir ou tocar, quando deixa de enxergar a mãe, o bebê geralmente chora. A mãe deve dar muito colo, peito, olho no olho, aconchego”.
“A partir dos três anos, a criança passa a pensar de acordo com as experiências individuais, tendo a mãe como referência e segurança. A fase dos “porquês” e do “faz de conta” precisa ser compreendida e direcionada para que o desenvolvimento e aprendizagem se deem de forma saudável. É hora de menos colo e mais chão… correr, pular, andar de bicicleta, brincar de amarelinha. Lápis e papel, desenho e pincel. Tudo sob a atenção cuidadosa da mãe, que acompanha, ensina e corrige”, afirmou.
“Todos os filhos querem as mães por perto. A quarentena está contribuindo para a realização deste desejo “, completou.
Cristina também é mãe e já viveu as fases descritas acima. Ana Carolina, com 28 anos, e André Miguel, de 27, cresceram. Perguntada sobre a relação que tem com os filhos, a psicopedagoga fez uma metáfora, que o G1 dedica às mães neste domingo especial.
“Filhos são como pipas. Precisam voar, cobrir os céus de cores, danças e formas. Mães zelosas cuidam para ter certo controle da condução dessa pipa. Está nas mãos delas esta linha, que guia cada parte dessa relação. Mãos firmes, porém, doces, atentas para que não haja desvio (…) Com o passar do tempo e dos anos, esses voos passam a ser cada vez mais longos e mais altos, feitos de maneira independente, de forma que mal conseguimos vê-los. Mas as mãos maternas ainda seguem segurando a linha simbolicamente, mesmo sabendo que não vão provocar grandes efeitos. A linha é a representação do elo, do sentimento de pertencer àquela vida, àquela realização, àquela existência”.
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