‘A gente estaria entre 3 mil e 3,5 mil óbitos em Pernambuco se não houvesse isolamento’, diz cientista da UFPE


Segundo Jones Albuquerque, situação no estado estaria controlada em até 20 dias se fosse adotado o ‘lockdown’, como ocorrido em Noronha, que zerou casos da Covid-19. Cientista diz que ‘meio isolamento’ não funciona contra o novo coronavírus
Desde o início da pandemia, em março, Pernambuco registrou 1.087 mortes por Covid-19, segundo boletim da Secretaria Estadual de Saúde nesta segunda (11). Esse número poderia chegar a cerca de 3,5 mil óbitos se não houvesse determinação de isolamento social, segundo Jones Albuquerque, cientista do Laboratório de Imunopatologia Keiso Asami (Lika), da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) (veja vídeo acima).
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Também nesta segunda-feira (11), o registro de casos confirmados da doença chegou a 13.768. Também de acordo com o especialista, esse número poderia ter sido evitado com a aplicação do “lockdown”, que significa o fechamento total de uma cidade.
“O bloqueio total é evitar contato com as pessoas. Como a gente aprendeu no mundo, o meio isolamento não funcionou. Recife já mostrou que não funcionou. Os óbitos continuam crescendo”, disse.
Ainda segundo o cientista, o estado tem um isolamento médio de 60%, mas os outros 40% preocupam. “Algumas pessoas estão sem se conectar com ninguém, mas outras não fazem isso. A gente estaria entre 3 mil e 3,5 mil óbitos em Pernambuco se não houvesse isolamento”, afirmou.
No sábado (8), Fernando de Noronha zerou os casos de coronavírus e todos os pacientes estão curados. Desde o dia 20 de abril, os moradores só podiam circular pelas ruas para serviços essenciais com a autorização da Administração da Ilha.
“Se fizéssemos um ‘lockdown’ como Noronha, em 15 ou 20 dias, a situação estaria resolvida. Noronha é Pernambuco, é brasileira e conseguiu bloquear. Se não houvesse isolamento, Noronha estaria com 200 casos, ou seja, dez vezes mais”, declarou.
Jones ainda comparou a medida restritiva com as mudanças de trânsito realizadas anualmente no período do carnaval. “A gente está muito acostumado a fazer ‘lockdown’ para o carnaval. Tem gente que só volta na outra segunda. Consegue fazer um ‘lockdown’ de 10 dias e não percebe que fez”, disse.
Para o cientista, a solução, porém, não é apenas fechar os bairros. “Se a gente observar, Recife está no litoral em vermelho. Há um risco iminente vindo do interior”, contou.
Ele explicou que a população só deve começar a se tranquilizar quando as curvas começarem a cair na capital, no estado e no Brasil.
“A medida agora, não tem outra, não tem ‘meio lockdown’. Ou faz bloqueio total, ou vai ficar postergando situação de estar em casa. As pessoas estão transitando na rua, isso é o vírus circulando”, explicou.
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Arte/G1
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By Negócio em Alta