Artigo | Comportamento virótico, por Leonardo Melgarejo

Seriam os vírus “seres vivos”? Não apresentam ciclo de vida. São como produtos de máquina, todos idênticos, salvos aqueles casos de “erros de produção” que geram mutações. A “máquina” é o organismo hospedeiro, e o controle do processo virótico se resume ao bloqueio do processo de replicação. Como cadeiras de plástico…

Não nascem e crescem e morrem, mas eventualmente “quebram”, deixam de funcionar. E eventualmente apresentam alterações de modelo, que as tornam mais “populosas”, de maior aceitação e dispersão. O funcionamento é um simples processo de replicação, um comando que faz a máquina hospedeira produzir outros indivíduos, cadeiras ou vírus, com comportamento e funções idênticas.

Portanto, não dá pra “matar” um vírus, o que se pode fazer é fortalecer o organismo, para que ele rejeite o “comando” de replicação. Trata-se de mecanismo de controle “do todo”, e como se vê, com uma lógica operacional que reproduz um conceito natural: eliminar os mais fracos… muito ruim porque os mais fracos serão aqueles que, dentre os biologicamente fracos, não conseguirem acesso aos mecanismos que levam ao bloqueio do processo de replicação do vírus. Os mais pobres, os mais mal alimentados, os com menor acesso a informações. Os desvalidos. Os abandonados pelo governo fratricida, que mandou os médicos cubanos embora, que desmontou o Sistema Único de Saúde (SUS), que vendeu a capacidade de desenvolvimento nacional, destruiu o ensino e a pesquisa,  estimulou a queima da Amazônia, colocou 3 milhões na fila do Bolsa Família e que agora chama seus tolos de cativeiro para aglomerações nas ruas das capitais. Comportamento virótico, que pode levar ao colapso social.

Este é um governo de comportamento virótico, e que se orgulha disso. Multiplica os seus, aqueles com comportamento irrefletido, destrutivo, mais do que desumano, verdadeira negação da vida.

Precisamos aprender com as leis naturais: é necessário fortalecer o organismo, proteger os mais fracos, isolar e tratar os contaminados, bloquear o processo de replicação. Em breve o feito do vírus se esvaziara por resposta à lei natural de que não há mal permanente, e todos ciclos encontram seu limite. Mas temos que colaborar, usando seu oposto. Nossa melhor arma é a solidariedade, fundamento básico do comportamento humano. E temos que agir conscientes de o comportamento virótico não será destruído, porque os vírus não são seres vivos, são contaminantes perigosos que, em grande número, podem destruir a vida.

* Engenheiro agrônomo, Mestre em Economia, Doutor em Engenharia de Produção. Membro do Movimento Ciência Cidadã (MCC), ocupa atualmente funções de vice-presidente regional sul da (ABA) Associação Brasileira de Agroecologia e coordenador adjunto do Fórum Gaúcho de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos (FGCiA). É professor colaborador da UFSC (Curso de Especialização em Agroecossistemas). Extensionista Rural aposentado, foi membro representante do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) na Comissão Técnica Nacional de Biossegurança – CTNBio (2008-2014).