Deputado precisaria renunciar ao cargo e passar por sabatina no Senado. Presidente Bolsonaro sinalizou nesta quinta que cogita nomear o filho na função.

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) anunciou nesta sexta-feira (12) que o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, “expressou apoio” a uma eventual indicação sua para assumir o cargo de embaixador do Brasil nos Estados Unidos.

Eduardo se reuniu no Itamaraty com o ministro. Na quinta (11), o presidente Jair Bolsonaro, pai do deputado, manifestou intenção de nomear o filho para o posto em Washington.

“Na verdade, eu vim para uma reunião que já estava previamente agendada antes desses fatos que vieram à tona ontem [quinta]. Mas obviamente, eu também aproveitei a oportunidade para falar com o chanceler, ele expressou apoio ao meu nome por ocasião da minha possível indicação à embaixada dos Estados Unidos”, afirmou Eduardo.

O deputado disse que ainda falta a confirmação por parte do presidente. Ele disse que deve se reunir com Bolsonaro até domingo para tratar do assunto.

“Agora falta só conversar com o presidente Jair Bolsonaro e afirmar se essa é realmente a vontade dele”, disse o deputado, que afirmou que se reunirá até domingo com seu pai para discutir sobre o assunto.

O deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) fala ao ouvido do ministro Ernesto Araújo durante audiência pública, em março deste ano, na comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados — Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
O deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) fala ao ouvido do ministro Ernesto Araújo durante audiência pública, em março deste ano, na comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados — Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Questionado se a nomeação poderia ser enquadrada como nepotismo, o deputado afirmou que conversou com sua assessoria jurídica e disse que essa possibilidade foi descartada.

“Foi descartada. A súmula vinculante do STF, que trata do nepotismo, permite a indicação política do presidente, então acredito que isso não seria óbice a uma possível nomeação.”

Para que Eduardo possa exercer o cargo diplomático, precisa passar por uma sabatina e uma votação na Comissão de Relações Exteriores (CRE) do Senado, além de uma votação no plenário da Casa. O filho do presidente teria, ainda, que renunciar ao seu cargo de parlamentar.

A embaixada brasileira nos EUA está sem dirigente desde abril deste ano.