O Índice Omie de Desempenho Econômico das PMEs (IODE-PMEs) revelou que, em agosto de 2026, as pequenas e médias empresas brasileiras experimentaram um modesto crescimento financeiro real de 1,0% em comparação ao mesmo mês do ano anterior. No acumulado do ano, o índice alcança uma elevação de 2,9%, ainda aquém dos níveis observados entre 2022 e 2024, refletindo os resultados tímidos dos últimos meses. O aumento mensal foi impulsionado principalmente pelo setor do Comércio, enquanto o segmento de Serviços mostrou estabilidade.
O IODE-PMEs atua como um indicador da performance econômica de empresas com faturamento anual até R$50 milhões, monitorando cerca de 756 atividades econômicas nos setores de Comércio, Indústria, Infraestrutura e Serviços.
Felipe Beraldi, economista da Omie, comentou que o setor de PMEs tem enfrentado dificuldades para aumentar o faturamento real desde o início do segundo trimestre deste ano. “Esse cenário é resultado de uma economia complexa, caracterizada por taxas de juros elevadas, alto endividamento tanto das famílias quanto das empresas e uma queda contínua na confiança dos agentes econômicos. O Índice de Confiança do Consumidor (ICC), calculado pela FGV, caiu em agosto pelo quarto mês consecutivo, reduzindo-se em 3,6 pontos para 84,7 pontos — a menor marca desde novembro de 2022”, afirmou.
No que diz respeito à política monetária, o Banco Central tem realizado cortes discretos na taxa Selic nos últimos meses; no entanto, as condições para obtenção de crédito continuam restritivas para as operações das pequenas e médias empresas. Em relação à inflação, o IPCA apresentou uma redução de 0,32% em agosto, resultando em um acumulado de 12 meses em 4,22% — uma ligeira queda em relação aos 4,44% registrados em julho — mantendo-se dentro da faixa tolerada pela meta estabelecida pelo Banco Central por dois meses consecutivos. Apesar dessa desaceleração da inflação, os efeitos acumulados dos juros elevados ainda impactam diretamente a atividade das PMEs.
A Sondagem Omie das PMEs (edição agosto/26) também revelou que 54% dos empresários entrevistados acreditam que a situação econômica terá um impacto negativo sobre seus negócios a curto prazo. O pessimismo se torna mais evidente quando se analisa os obstáculos econômicos apontados pelos empreendedores. As altas taxas de juros são vistas como a principal barreira ao crescimento por 59% das PMEs — um aumento significativo em relação aos 49% registrados anteriormente — demonstrando a pressão direta da Selic elevada sobre a saúde financeira das empresas.
Analisando o desempenho setorial, o Comércio destacou-se como o principal responsável pelo crescimento do IODE-PMEs no mês com um aumento anual de 1,3%. Essa melhora foi impulsionada tanto pelo Atacado quanto pelo Varejo; no entanto, o segmento automotivo apresentou uma queda durante o período analisado.
Por outro lado, o setor de Infraestrutura foi o único a apresentar resultados negativos no mês com uma diminuição anual de 2,2%. A construção civil continua a impactar negativamente as PMEs desse segmento; contudo, os ‘Serviços especializados para construção’ ajudaram a mitigar uma queda ainda maior nesse setor.
A Indústria, embora tenha contribuído levemente para um resultado positivo no índice com um crescimento de 0,8% em agosto, teve seu desempenho variado. Essa leve alta foi impulsionada principalmente pelo aumento nas áreas da ‘Fabricação de papel’, ‘Fabricação de alimentos’ e ‘Fabricação de produtos químicos’. Contudo, dos 23 segmentos industriais monitorados pelo IODE-PMEs, 12 enfrentaram retração no mesmo período comparativo anual.
No setor de Serviços, houve estabilidade com uma variação anual positiva de apenas 0,2%, após uma queda no mês anterior. Esse equilíbrio foi sustentado pelo crescimento nas atividades relacionadas à ‘Saúde humana’, ‘Atividades profissionais e científicas’, ‘Transporte’ e ‘Educação’. Em contraposição, o segmento de ‘Alojamento e Alimentação’, que inclui muitas micro e pequenas empresas, voltou a apresentar retração neste mês.
Em síntese, os riscos enfrentados pelas PMEs continuam a se inclinar para baixo. A persistência das taxas elevadas por um período prolongado aliada ao alto endividamento e à deterioração constante da confiança entre empresários e consumidores restringe a capacidade do setor para aumentar seu faturamento. “Embora a desaceleração inflacionária possa abrir espaço para possíveis cortes nas taxas futuras, os efeitos sobre as atividades tendem a ser graduais e só irão impactar as PMEs posteriormente. Assim sendo, o desafio que permanece para as pequenas e médias empresas é sustentar seu crescimento em um contexto marcado por demanda fraca e custos elevados”, concluiu Beraldi.
Sobre o Índice Omie de Desempenho Econômico das PMEs (IODE-PMEs)
A Omie criou o Índice Omie de Desempenho Econômico das PMEs (IODE-PMEs) reconhecendo a importância dessas empresas na economia nacional. Este índice monitora as atividades econômicas das pequenas e médias empresas brasileiras. A pesquisa inédita realizada pela scale-up Omie serve como um termômetro econômico para organizações com faturamento anual até R$50 milhões e oferece análises setoriais detalhadas do mercado das PMEs no Brasil. Para compor esses índices foram utilizados dados anonimizados sobre movimentações financeiras provenientes de mais de 200 mil clientes abrangendo 756 CNAEs (de um total de 1.332 subclasses), respeitando critérios estatísticos representativos. Os dados são ajustados considerando as variações do IGP-M (FGV), baseando-se no índice do último mês analisado para eliminar os impactos puramente inflacionários da série temporal e permitir uma visão clara sobre a evolução financeira real.
Sobre a Omie
A Omie foi fundada em 2013 por Marcelo Lombardo e Rafael Olmos com o objetivo de promover o crescimento sustentável dos negócios através da oferta de um sistema gerencial inovador e completo. A empresa baseia sua atuação em quatro pilares principais: Gestão via software; Educação através da Omie.Academy; Finanças com linhas específicas voltadas ao apoio às PMEs; e Comunidade conectando clientes a fornecedores e prestadores serviços. Como líder no seu segmento conta com mais de 25 mil escritórios contábeis parceiros e supera os 200 mil clientes atendidos com aproximadamente mil colaboradores. Atualmente processa mais R$40 bilhões mensais em notas fiscais emitidas correspondendo cerca de 4% do PIB brasileiro.
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A publicação IODE-PMEs avança 1% em agosto; porém ritmo permanece fraco apareceu primeiramente na plataforma Jornal Contábil – Independência e compromisso.
