NRF 2026 sinaliza nova fase do varejo com avanço dos agentes de inteligência artificial: Para Ricardo Nunes, fundador da Ricardo Eletro e do Grupo R1, tecnologia passa a estruturar decisões estratégicas, eficiência operacional e experiência do consumidor

Nova York foi o centro das principais discussões do varejo global durante a NRF 2026 – Retail’s Big Show, realizada entre 11 e 13 de janeiro. O evento, considerado o mais relevante do setor no mundo, reuniu mais de 5 mil marcas de mais de 100 países e apontou um diagnóstico convergente: o varejo entrou em uma nova fase, marcada pela consolidação dos agentes de inteligência artificial como elemento estrutural dos negócios.

 

Diferentemente das soluções tradicionais de automação, os agentes de IA operam de forma autônoma, com capacidade de aprender, interpretar dados em tempo real e executar decisões estratégicas em áreas como gestão de estoque, precificação dinâmica, personalização da jornada do cliente e eficiência operacional.

 

Para Ricardo Nunes, fundador da Ricardo Eletro e do Grupo R1, a NRF deixou claro que a inteligência artificial deixou de ser tendência para se tornar infraestrutura básica do varejo. “A IA não substitui o varejo. Ela potencializa quem sabe decidir. Empresas que não dominarem a leitura de dados perderão margem, competitividade e velocidade”, afirma.

 

Segundo Nunes, o diferencial competitivo não estará apenas na adoção da tecnologia, mas na forma como ela é integrada à estratégia, à governança e à cultura organizacional. A leitura apresentada nos painéis da NRF aponta para um varejo cada vez mais orientado por dados, com decisões menos reativas e maior previsibilidade.

 

Outro ponto central debatido no evento foi a evolução da experiência do consumidor. A separação entre canais físicos e digitais dá lugar a um modelo complementar, no qual as lojas assumem funções de relacionamento, construção de marca e entrega de experiências. “Produto se tornou commodity. O que fideliza é a experiência e a confiança construída ao longo do tempo”, avalia Nunes.

 

A NRF 2026 também trouxe um discurso mais pragmático sobre eficiência, rentabilidade e execução. Em um ambiente econômico mais restritivo, a disciplina operacional e o controle de custos aparecem como fatores determinantes para o crescimento sustentável. “Crescer sem eficiência compromete o futuro do negócio. O varejo do futuro cresce com margem e visão de longo prazo”, diz o executivo.

 

Temas ligados a ESG, governança e propósito deixaram de ser tratados como agendas paralelas e passaram a ser associados à competitividade e à atração de investimentos. Para Nunes, o comportamento do consumidor reflete essa mudança. “O consumidor avalia valores, não apenas preço. Empresas que ignorarem isso tendem a perder relevância”, afirma.

 

Durante o evento, Nunes destacou a atuação da comitiva Varejo 180, liderada por Ronald Nossig, como um espaço de articulação estratégica e educação empreendedora. Enquanto o Grupo R1 atua como um ecossistema voltado à governança, performance e crescimento sustentável, a Varejo 180 se posiciona como uma plataforma de conteúdo e experiências voltadas ao setor de varejo e consumo.

 

Segundo Nunes, as conversas iniciadas durante a NRF 2026 indicam uma oportunidade relevante de reposicionamento do varejo brasileiro. Sem antecipar detalhes, o executivo adiantou que uma colaboração inédita deve ser anunciada em breve, com foco em estratégia, execução e desenvolvimento do setor no país.

 

A leitura predominante do evento é de que o varejo global caminha para um modelo mais integrado, tecnológico e orientado por dados, no qual a vantagem competitiva será definida pela capacidade de adaptação e execução das empresas.

 

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By Negócio em Alta

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