
Suspeitos podem ser denunciados pelos crimes de falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de substância ou produtos alimentícios. A pena varia de 4 a 8 anos de reclusão e multa. Segundo relatório, garrafa verdadeira da Havana está à esquerda e a falsificada, à direita
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A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta sexta-feira (2), a “Operação Veneno”, que visa desarticular um esquema de produção de cachaça falsificada da marca Havana, em Belo Horizonte. Os agentes cumprem neste momento três mandados de busca e apreensão em um galpão localizado no bairro Caiçara, Região Noroeste da Capital.
O espaço funcionaria como um depósito onde os produtos estariam sendo fabricados, armazenados e distribuídos para todo o estado de Minas Gerais, sem qualquer tipo de controle sanitário e colocando vidas em risco.
De acordo com o relatório sobre a falsificação, elaborado pelos donos da marca original a pedido da PF, e ao qual a TV Globo teve acesso com exclusividade, todo o produto passou por um processo de adulteração, incluindo a tampa da garrafa, o selo da Receita Federal, o rótulo e a própria cachaça.
“A tampa dá a impressão de estar enferrujada. Na verdade ela é colocada numa solução de ácido, ou em sal de cozinha, durante um tempo para enferrujar. Isso é feito com a intenção de enganar o comprador, fazendo-o crer que se trata de Havana Velha”, diz o documento.
Esclarece ainda que, tanto o selo da Receita Federal, quanto o rótulo da garrafa são igualmente falsificados. “O selo colocado na cachaça falsificada, também é falsificado. O papel não é igual ao do selo original, fornecido pela Receita Federal. É papel comum”, destaca o relatório revelando que o rótulo colocado na cachaça evidencia grosseira adulteração. “No rótulo usado realmente na Havana Velha, não tem verniz, e as bordas normalmente têm o desgaste provocado pelo tempo”, exemplifica.
Já sobre o conteúdo, o relatório adverte que a garrafa da Havana legítima, ao ser sacudida, forma um rosário, a falsificada, não.
“A legítima não apresenta nenhum tipo de impureza junto com o líquido, pois além do cuidado natural durante a fabricação e o envasamento, passa por filtros que não deixam passar nenhuma impureza, o que não acontece com a falsificada”, alerta.
Segundo o diretor administrativo da Cachaça Havana, Geraldo Mendes Santiago, os prejuízos provocados pela falsificação são incalculáveis.
“Não estamos falando só de perdas financeiras, mas do desgaste da marca, que foi falsificada de maneira grosseira, sem se saber a origem de produtos utilizados que podem, inclusive, causar mal à saúde humana”, reclama.
Os suspeitos podem ser denunciados pelos crimes de falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de substância ou produtos alimentícios. A pena varia de 4 a 8 anos de reclusão e multa. As investigações duraram aproximadamente 3 meses.
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