
Além da imposição, criminosos também estariam agredindo pessoas que descumprem a ordem. Bairro é o mesmo onde fica hospital de referência para tratamento da Covid-19. Hospital Ronaldo Gazolla fica em bairro onde polícia apura denúncia de toque de recolher
Jorge Hely/Framephoto/Estadão Conteúdo
A Polícia Civil do Rio de Janeiro está investigando se em Acari, na Zona Norte do Rio, traficantes teriam determinado um toque de recolher a moradores do bairro durante a pandemia do novo coronavírus. Além da imposição, os criminosos também estariam agredindo pessoas que descumprem a ordem.
O bairro é onde fica o Hospital Municipal Ronaldo Gazolla, referência da prefeitura para o tratamento da Covid-19.
O G1 questionou à polícia se havia a confirmação de relatos das ameaças, se havia inquérito policial aberto, se vítimas procuraram a delegacia e se criminosos foram identificados. Em resposta, foi informado que a 39ªDP (Pavuna) investiga o caso e que “diligências estão em andamento”.
Áudios e fotos sobre a situação têm circulado em redes sociais. Um deles aparenta ser a gravação de um megafone em que um homem explica quais são as “regras” para circulação no bairro.
“O carro da lapada vai passar às 19h30. Não fique na rua batendo perna de bobeira Atenção, mamãe, não deixe suas crianças na rua. Não estamos de férias, estamos de quarentena. Durante o dia, se tiver que sair na rua, o uso de máscara é obrigatório. Quer fazer festa? Churrasco? Só vai ser permitido dentro de casa. O carro da lapada vai fiscalizar.”
O áudio segue, e o homem afirma que apenas pessoas que trabalhem com entregas serão autorizadas a circular à noite. Mesmo assim, a “permissão” só seria dada a quem estiver de máscara e luva. Quase no fim, a voz fala de casos de coronavírus confirmados no Acari e, inclusive, mortes.
De acordo com dados da prefeitura, até as 18h de quarta-feira (29) havia 11 casos confirmados e 2 mortes por Covid-19 em Acari.
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