Iniciativa Memorial das Vítimas da Covid-19 oferece ajuda psicológica para pessoas que perderam seus familiares para doença. Familiares de vítimas da Covid-19 fazem apelo: “fiquem casa”
“Perdi o amor da minha vida”. Os relatos de pessoas que perderam seus familiares por causa da Covid-19 se acumulam com a expansão do novo coronavírus no Rio. A Erika Coelho perdeu o marido, Marcelo, de 45 anos, no começo do mês.
Eles namoraram quando eram jovens e se reencontraram 16 anos depois, divorciados de outros casamentos. Há pouco mais de três anos, estavam juntos e planejavam ter um filho.
“Eu perdi o amor da minha vida. Um cara que estava presente em todos os momentos da minha vida, um cara que só de me olhar sabia o que eu estava sentindo, e vice-versa (…) Eu falo que o Marcelo, ele entrou feito um furacão na minha vida e saiu feito uma brisa. Deixei meu marido andando, falando e não o vi mais”, afirmou Erika.
A família da dona Isa Xavier, de 63 anos, também precisou se despedir, no último sábado (25). Ela se isolou em casa, desde o início da quarentena, mas o marido e os netos precisaram sair para trabalhar. Depois de sete dias passando mal com sintomas de Covid-19, ela não resistiu e morreu.
“Ela era uma mulher dedicada, guerreira, mãezona (…) comprou o terreno agora há pouco tempo, estava feliz com isso e querendo construir sua casa e infelizmente ela foi vítima dessa doença, desse vírus que veio para matar”, afirmou Gabriel Xavier, neto de Isa Xavier.
Projeto dá auxílio psicológico para familiares de vítimas
O projeto Memorial das Vítimas da Covid-19 no Brasil foi criado para prestar ajuda psicológica, pela internet, para pessoas que perderam seus familiares para a doença. Além disso, homenagens são realizadas, em uma rede social, para mostrar que as vítimas não são apenas números.
“Elas passaram por uma tragédia e elas precisam ser acompanhadas. É a mesma motivação de uma pessoa que perde seu parente assassinado como violência do estado, então como a gente já tinha essa prática, a gente está estendendo para vítimas da Covid-19”, disse Patrícia Oliveira, voluntária do projeto.
O Rio de Janeiro já registrou mais de 700 mortes até esta quarta-feira (29).
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