
Proximidade regional favorece expansão da doença, e isso deveria ser usado na articulação de medidas de flexibilização, aponta economista. Covid-19: número de casos confirmados em Indaiatuba cresce 566% em duas semanas
Um estudo do Observatório PUC-Campinas mapeou o avanço da pandemia do novo coronavírus nas 20 cidades da Região Metropolitana de Campinas (RMC entre os dias 7 e 20 junho. Indaiatuba (SP) é quem registrou o maior número de novos casos no período, uma alta de 566,7%.
Para especialistas, a proximidade entre os municípios favorece a disseminação da Covid-19, e isso deveria ser considerado como estratégia na articulação das medidas de flexibilização da quarentena.
“A região metropolitana é bastante integrada nas relações de produções e consumo, o que indica que as autoridades municipais deveriam articular melhor essas reaberturas e estabelecimento de protocolos pra mitigar os efeitos que essas ações podem ter no crescimento de casos”, destaca o economista Paulo Oliveira, da PUC-Campinas.
Veja os casos de Covid-19 na região de Campinas nesta quarta
Professor da Unesp e membro do Centro de Contingência do Coronavírus do Estado, Carlos Magno Fortaleza ressalta que essa proximidade regional justifica a evolução da doença na RMC.
“O que geralmente acontece é a chegada de um paciente numa cidade grande, a disseminação da doença na cidade grande e aí a partir daquela população que faz o chamado movimento pendular, que vem e volta da cidade grande diariamente, essa doença rapidamente chega naquelas cidades que são fortemente conectadas. É o caso de Campinas, Indaiatuba e vários outros municípios ao redor, Hortolândia, Paulínia”, destaca.
Os números analisados pelo Observatório PUC-Campinas mostram que Indaiatuba foi quem teve o maior número de casos no período, dez vezes mais do que Campinas (SP), que teve evolução de 51% na contaminação em duas semanas.
Secretária de Saúde de Indaiatuba, Graziela Garcia defende que o resultado é fruto de uma maior quantidade de testes no município.
“A medida que o momento epidemiológico muda, o número de testes, a prefeitura também aumenta. Em junho, nós triplicamos o número de testes. E essas ações fizeram que o número de confirmados na cidade aumentasse”, disse.
Aumento de novos casos na RMC entre 7 e 20 de junho
Indaiatuba: 566,7%
Engenheiro Coelho: 185,7%
Pedreira: 133,3%
Santa Bárbara d’Oeste: 120,4%
Monte Mor: 119,4%
Estudo do Observatório PUC-Campinas mapeou avanço do novo coronavírus na Região Metropolitana de Campinas (RMC)
Reprodução/EPTV
O professor da Unesp alerta ainda que os baixos índices de isolamento mostram que não houve conscientização de parcela da população e os casos podem aumentar.
“As pessoas continuam agindo como se a doença não fosse algo real ou grave”, afirma.
Ainda de acordo com Fortaleza, esse aumento de casos na região era esperado pelas características da pandemia.
“É natural que uma doença respiratória siga dois caminhos, um pela Grande São Paulo e suas áreas vizinhas, que os geógrafos chamam de macrometrópole, que inclui também a Região Metropolitana de Campinas, e outro saltando através de rodovias para as chamadas capitais regionais”, completa.
Formas erradas e corretas de usar máscara de proteção contra o coronavírus
Arte/G1
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