Mapeamento mostra desigualdade na distribuição das UTIs do SUS em São Paulo

Mapeamento realizado pela Rede Nossa São Paulo mostra que a distribuição de leitos de de unidades de terapia intensiva (UTI) do Sistema Único de Saúde (SUS) privilegia o centro e regiões mais ricas da capital paulista.Os dados divulgados nesta quarta-feira (8) são resultado da análise do Datasus de  fevereiro de 2020.

A pesquisa aponta que as três subprefeituras da Sé, Pinheiros e Vila Mariana, localizadas nas regiões mais ricas e centrais da cidade, concentram 9,3% da população do município e mais de 60% dos leitos de UTI do SUS, enquanto na periferia do município,  2,3 milhões de pessoas – 20% da população – vivem em sete subprefeituras onde não há um leito sequer. 

Parelheiros, Cidade Ademar, Campo Limpo, Aricanduva, Lapa, Perus e Jaçanã estão entre as subprefeituras que não possuem leitos para atender a população.

:: Profissionais da saúde lançam campanha “Leitos para todos” durante pandemia ::

Só a subprefeitura de Pinheiros, região de classe média-alta na zona Oeste, onde moram 294 mil pessoas, dispõe de 365 leitos de UTI do SUS. Com a mesma população, a subprefeitura de Vila Maria, na zona Norte, possui dez. O levantamento ainda destaca que a população da Zona Norte espera há, pelo menos 30 anos, o hospital da na Vila Brasilândia, que teve as obras iniciadas em 2015, deveriam ter sido concluídas em 2017, mas a inauguração está prevista para maio deste ano, o que aumentará o número de leitos na periferia. 

“Este mapeamento revela, mais uma vez, a desigualdade estruturante na cidade mais rica do país. Nesse momento de crise, se por um lado São Paulo tem sido referência em medidas emergenciais, por outro os números atestam que estamos longe de atingir a equidade social. A desigualdade territorial segue acentuando as diferenças e tornando as populações ainda mais vulneráveis”, ressalta a Rede Nossa São Paulo, em nota. 

:: Ação no Supremo pede que leitos de hospitais privados passem ao SUS durante pandemia ::

Confira o distribuição dos leitos de UTI (públicos e conveniados ao SUS) por 100 mil habitantes em cada subprefeitura.

 


Levantamento da Rede Nossa São Paulo mostra desigualdade na distribuição das UTIs do SUS em São Paulo / Rede Nossa São Paulo

Prefeitura 

Em nota, a prefeitura de São Paulo informou que os hospitais municipais estão distribuídos, em sua maior parte, na periferia da cidade, em bairros como: Itaquera, São Miguel, Ermelino Matarazzo, Pirituba, M’boi Mirim, Cidade Tiradentes, Campo Limpo, Vila Maria, Butantã, Vila Nova Cachoeirinha e Campo Limpo. 

::Mortes pelo coronavírus chegam a 800 no Brasil; 133 foram nas últimas 24 horas::

A prefeitura disse ainda que o Hospital de Parelheiros, que atualmente tem 25 leitos de UTI, aumentará esse número até 31 de maio para 288, destinados a pacientes com coronavírus. Segundo a administração municipal, o prefeito da cidade, Bruno Covas, anunciou no último dia 28, mais 159 leitos de UTI no Hospital Municipal da Brasilândia, na Zona Norte, para tratamento de pacientes atingidos pelo coronavírus na capital. 

Secretaria de Saúde

Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo informou que os hospitais estaduais localizados na capital paulista estão distribuídos nas cinco regiões da cidade, “inclusive com prevalência nos extremos das regiões sul e norte, com uma rede de referências em média e alta complexidade nos ‘pontos cardeais’ da região metropolitana”.

::Prefeitura de São Paulo remove usuários da Cracolândia em ônibus lotado::

A secretaria acrescentou foi anunciada na terça-feira (7), a construção de um hospital de campanha no Complexo Desportivo Constâncio Vaz Guimarães, nas proximidades do Parque do Ibirapuera, para atendimento de casos de coronavírus.

“O espaço terá 240 leitos de baixa complexidade, 28 leitos de estabilização, sala de descompressão, consultórios médicos e tomografia. A unidade será referenciada e receberá pacientes vindos de unidades de pronto atendimento”, diz a nota. 

Com informações Agência Brasil

By Negócio em Alta