Metade os leitos ociosos nas redes estadual e municipal é por falta de profissionais de saúde. Relatório será encaminhado à Justiça. Levantamento da Defensoria Pública mostra que 1262 leitos estão ociosos em 23 hospitais na redes estadual e municipal
Um levantamento feito pela Defensoria Pública do Rio de Janeiro mostra que 929 leitos estão ociosos em 23 hospitais das redes estadual e municipal.
Como mostrou o RJ1 nesta quarta-feira (20), metade deles, por falta de profissionais de saúde. Principalmente, enfermeiros e técnicos. A Defensoria Pública entrou com uma ação na justiça no início de maio para a abertura desses leitos da rede hospitalar.
“O que chama a atenção é que quase 50 % dos leitos ociosos, sobretudo pela falta de enfermeiros e técnicos de enfermagem. A gente sabe que são uma mão de obra que os salários não são tão robustos quantos dos profissionais médicos, mas que são profissionais que efetivamente fazem diferença nas unidades”, disse a defensora Thaisa Guerreiro.
Nas quatro principais emergências da rede municipal – Miguel Couto, Salgado Filho, Souza Aguiar e Albert Schweitzer – tem ainda 333 leitos livres.
O Hospital Municipal Souza Aguiar, a principal emergência no Centro do Rio, está usando apenas 68% da capacidade dos leitos. Ou seja, dos 364 leitos, 78 estão impedidos e 84 estão livres. Muitos são leitos de enfermaria e cirurgia.
“Veja o próprio plano estadual de contingência diz que para a abertura dos hospitais de campanha, era necessário um passo anterior que era otimizar toda a capacidade ociosa da rede. Infelizmente, a gente começa a verificar que isso não está acontecendo”, disse.
No Hospital Municipal Miguel Couto, no Leblon, na Zona Sul, dos 318 leitos, 84 estão impedidos e 66, livres. Muitos são de clínica médica. E até nas enfermarias para Covid-19 há 20 leitos impedidos.
Imagens feitas este mês mostram leitos do Miguel Couto vazios. Parlamentares fizeram uma vistoria no hospital, enquanto as salas amarela e vermelha do CER Leblon, que fica ao lado do hospital, estão cheias.
O CER Leblon tem ainda 15 leitos de UTI impedidos por causa da falta de insumos. Imagens também mostraram leitos vazios do Souza Aguiar, no meio da pandemia.
O Jornal Nacional fez no fim de abril um levantamento exclusivo dos leitos ociosos na rede SUS do Rio. Hoje, na rede estadual só o Hospital Universitário Pedro Ernesto tem 112 leitos impedidos.
No dia 29 de abril, o Hospital Estadual Getúlio Vargas tinha no cadastro de estabelecimentos de saúde 335 leitos. Sendo 79 impedidos. De lá para cá, é como se o hospital tivesse diminuído. Hoje, são 256 leitos na unidade, justamente 79 a menos. As enfermarias 219, 220, 221 e 300 foram retiradas do cadastro.
Depois de uma ação da Defensoria Pública, a Justiça tinha dado um prazo de 48 horas para a abertura dos leitos ociosos nas redes estadual e municipal. O estado e a prefeitura recorreram e ganharam mais cinco dias de prazo.
Agora, essas novas informações reunidas no levantamento da Defensoria Pública também serão avaliados pela Justiça. .
A Secretaria Estadual de Saúde disse que reformou os hospitais Zilda Arns, em Volta Redonda, no Sul Fluminense, e Anchieta, no Caju, Zona Portuária do Rio, para atender pacientes com Covid-19. E afirma que até o momento abriu 1.159 leitos para Covid-19, incluindo os leitos abertos nos hospitais de campanha.
O estado ainda não respondeu sobre os leitos ociosos no Hospital Universitário Pedro Ernesto e nos hospitais de emergência Carlos Chagas, em Marechal Hermes, e Getúlio Vargas, na Penha, ambos na Zona Norte do Rio.
A Secretaria Estadual de Saúde disse que em abril foram contratados 618 profissionais de saúde para atuarem em diferentes hospitais da rede.
O que diz a Prefeitura do Rio
A Prefeitura do Rio disse que desde o início da pandemia abriu 834 leitos exclusivos para Covid-19. Com a chegada de material e respiradores deve abrir mais 326 leitos nos próximos dias.
A Secretaria Municipal de Saúde afirma que abriu 20 leitos de UTI no CER Leblon, com a chegada dos novos respiradores, mas não explicou porque 15 leitos de UTI do CER Leblon continuam fechados.
Diferentemente do que mostra o sistema usado no levantamento da Defensoria Pública, a prefeitura afirma que não há leitos livres na rede municipal e que todos os leitos possíveis estão sendo abertos para Covid-19.
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