
Após 60 dias, região tem mais de 600 casos confirmados, com 25 mortes pela doença. Há exatos dois meses o Sul de Minas tinha o seu primeiro caso de Covid-19 confirmado pela Secretaria Estadual de Saúde em Poços de Caldas (MG). Após 60 dias, a região tem mais de 600 casos registrados, com 25 mortes confirmadas pela doença.
A velocidade com que o número de casos aumenta na região pode ser medida em números. Há duas semanas, o Sul de Minas tinha metade dos casos confirmados. Foi preciso apenas 13 dias para que o número de registros dobrasse de 300 para a casa dos 600.
Há um mês, no dia 20 de abril, o número de casos confirmados na região era de 128, com 11 mortes. Em 30 dias, entraram no balanço oficial mais 474 confirmações, entre elas 14 mortes. O aumento foi de 370%, quase quatro vezes mais.
Relembre histórias de algumas das vítimas da Covid-19 no Sul de Minas
Reprodução EPTV
Subnotificação
Os números divulgados pela Secretaria de Estado de Saúde ainda não refletem toda a realidade, já estudos apontam que o número real de casos da doença é de pelo menos 16,5 vezes maior do que o divulgado pela Secretaria de Saúde.
Outros dados, divulgados pela própria SES-MG, apontam que o número de mortes por Covid-19 podem ser até sete vezes maior na região, que já registra no ano 150 óbitos por SRAG, a Síndrome Respiratória Aguda Grave não especificada, que aumentou 495,8% em todo o estado.
Minas Gerais é ainda o estado com a 2ª menor taxa de testes para coronavírus por habitante no Brasil. O estado só ganha do Rio de Janeiro quando o assunto são testes para detecção da Covid-19. A cada 100 mil mineiros, 78 são testados – apenas três a mais do que no estado vizinho.
Mais do que números, pessoas
Mais do que números, os dados apurados pelo G1 representam vidas humanas, pessoas que foram afetadas pela doença e famílias que tiveram a perda de seus entes queridos. Há poucos dias, o G1 lançou um memorial onde é possível ver quem são algumas das vítimas da Covid-19 no Brasil. Pessoas, não números.
Por enquanto, 25 mortes pela Covid-19 foram confirmadas pela SES-MG no Sul de Minas. Mas até o fechamento desta reportagem, outras três mortes já confirmadas por prefeituras ainda não haviam entrando no balanço do Estado, que é o mesmo replicado pelo Ministério da Saúde.
Relembre abaixo, histórias de algumas das vítimas da Covid-19 nesses dois meses no Sul de Minas. Clique neste link para relembrar histórias de outras vítimas em Minas Gerais.
Morte após Cruzeiro
A morte de João Batista Bueno, de 72 anos, de Ouro Fino (MG), no dia 31 de março, foi a primeira morte oficial registrada no Sul de Minas. João Batista morava na zona rural e apresentou os sintomas após uma viagem de cruzeiro no Ceará, onde estava com a esposa.
Ele deu entrada no Hospital de Ouro Fino no dia 23 e no dia seguinte já foi transferido para Itajubá, onde ficou internado por oito dias. Ele não tinha qualquer comorbidade ou doença prévia.
Prefeitura de Ouro Fino confirma que homem de 72 anos morreu por Covid-19
Reprodução EPTV
Um dos mais jovens a morrer
Um dos pacientes mais jovens a morrer, o fisioterapeuta Wesley Soares, de 34 anos, era de São tomás de Aquino e tinha hipertensão. Ele morreu no dia 12 de abril, após ficar internado em um hospital de Franca, no interior de São Paulo.
Wesley trabalhava como concursado da Prefeitura de São Tomás de Aquino e mantinha uma clínica de fisioterapia.
A irmã de Wesley Soares fez um relato emocionado no dia 14 de abril. Ao falar da evolução da doença, Daiane Mendes disse que a angústia maior da família é por não ter tido tempo suficiente para a despedida.
“O que mais dói é não poder se despedir. Não pode ter um velório, o enterro durou 10, 15 minutos. Coisa muito rápida mesmo. Foi muito difícil.”
A irmã disse que o rapaz chegou a receber cloroquina durante o tratamento após ter sido diagnosticado.
O fisioterapeuta Wesley Soares, de 34 anos, morreu com Covid-19 em Franca, SP
Reprodução/EPTV
Vida dedicada à caridade
No dia 10 de abril, a segunda morte confirmada em Paraisópolis foi da freira Jandira Rosa Chagas, de 78 anos, que havia falecido três semanas antes.
Irmã Jandira, como era conhecida, realizava trabalhos na Casa da Criança de Paraisópolis. Ela recebeu homenagens da instituição no dia da morte. O perfil oficial do Instituto das Irmãs Franciscanas de Nossa Senhora de Fática também homenageou a religiosa quando a morte completou o sétimo dia.
Nas publicações, feitas na data do falecimento, as instituições haviam divulgado a causa da morte como pneumonia dupla, que é uma das suspeitas do novo coronavírus e também pode ser classificada como Síndrome Respiratória Aguda Grave. Na oportunidade, foram coletadas amostras para exame, que teve confirmação como Covid-19.
Irmã Jandira, de Paraisópolis (MG), teve morte confirmada por coronavírus pela prefeitura
Divulgação/Casa da Criança
Profissional reconhecida pelos colegas
A técnica de enfermagem Marilene do Prado Tavares, de 47 anos, trabalhava há 25 no setor de oncologia do Hospital Bom Pastor, em Varginha (MG). Ela morreu na manhã desta segunda-feira (18) após lutar por 28 dias contra a doença. Ela estava internada no CTI do hospital onde trabalhava desde o dia 20 de abril.
Familiares, colegas e amigos da profissional fizeram um cortejo em homenagem à vida e profissionalismo da servidora da saúde. Sob aplausos dos colegas, o corpo deixou o hospital para ser sepultado.
Técnica de enfermagem de 47 anos é 2ª vítima da Covid-19 em Varginha
Reprodução / Facebook
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