Comércio aberto e livre circulação de pessoas são registradas em diferentes comunidades. Apesar da situação, grupos de moradores se juntam para higienizar ruas e levar cestas básicas a quem precisa. Enquanto o número de infectados pelo novo coronavírus avança nas comunidades do Rio, a rotina nas ruas das favelas permanece normal, colocando em risco mais moradores. Segundo a prefeitura, até esta terça-feira (12), eram 306 casos e 71 mortes nas favelas da cidade.
A TV Globo recebeu vídeos em que é possível ver a grande circulação de moradores nas comunidades do Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio, durante a pandemia. Também há imagens de desrespeito ao isolamento social na favela do Dendê, na Ilha do Governador, na mesma região.
Casos confirmados em favelas do Rio:
Rocinha: 90 casos
Maré: 38 casos
Manguinhos: 34 casos
Vigário Geral: 34 casos
Mangueira: 28 casos
Cidade de Deus: 23 casos
Acari: 22 casos
Caju: 14 casos
Vidigal: 11 casos
Jacarezinho: 5 casos
Complexo do Alemão: 5 casos
Vila Kennedy: 2 casos
Número de mortos em favelas do Rio:
Rocinha: 17 óbitos
Manguinhos: 11 óbitos
Vigário Geral: 10 óbitos
Cidade de Deus: 7 óbitos
Complexo da Maré: 7 óbitos
Acari: 5 óbitos
Mangueira: 6 óbitos
Caju: 4 óbitos
Vidigal: 2 óbitos
Vila Kennedy: 1 óbito
Jacarezinho: 1 óbito
União de moradores para ajudar comunidades
Na contramão desta realidade, muitos moradores também se juntaram para ajudar as comunidades em que moram e também as outras favelas da cidade.
É o caso do Thiago Firmino, do Santa Marta, em Botafogo, Zona Sul, que reuniu moradores para higienizar a comunidade por conta própria. Depois da ação, ele decidiu ensinar aos moradores do morro da Providência, no Centro, como fazer a limpeza dos becos e vielas.
Quem também passou a higienizar as ruas da Zona Norte do Rio foi o estudante de administração Matheus Silveira, de 23 anos. Com o avanço dos números no perímetro entre Ramos e Bonsucesso, o jovem custeou parte dos gastos do material de limpeza e pediu apoio a comerciantes locais para conseguir o restante dos produtos.
A ONG Redes da Maré também criou um canal de atendimento direto por assistentes sociais, psicólogos e advogadas da comunidade para reunir denúncias de moradores durante a pandemia da Covid-19. Segundo o primeiro boletim, 146 moradores relataram ter coronavírus. A ONG acompanha 81 destes casos e afirma que a maioria não teve acesso ao teste para a doença.
Já a ONG Voz das Comunidades tem um painel de informações que reúne dados das Clínicas da Família, da prefeitura e governo do estado. O aplicativo agrupa os casos especificamente nas favelas do Rio de Janeiro e disponibiliza sessões ao vivo para levar as informações aos moradores.
O que diz a prefeitura
A Prefeitura do Rio afirma que a Comlurb faz operações especiais de higienização e que reforçou os serviços na Ladeira dos Funcionários, no Caju, e em mais 37 comunidades das zonas Norte, Sul, Oeste e Central da cidade.
Diz, ainda, que a iniciativa começou pela favela da Rocinha, no dia 9 de abril, e se estendeu a 433 comunidades que, de acordo com a prefeitura, receberam lavagem geral com água de reuso e detergente neutro.
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