‘Duvidei do vírus’, conta jovem de 21 anos que passou 14 dias internada com Covid-19 no AP


Ana Maria Vieira pede que outros jovens não não subestimem a doença. Ana Maria Vieira, de 21 anos, em um dos dias de internação em hospital de Macapá
Ana Maria Vieira/Arquivo Pessoal
Por ser jovem e cumprir o isolamento social, a estudante de direito Ana Maria Vieira, de 21 anos, não esperava ser infectada com o novo coronavírus ou nem sentir sintomas graves da Covid-19. No entanto, 14 dias internada em um hospital de Macapá, com falta de ar e temendo pela vida, a fizeram mudar de opinião.
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Ana foi internada na rede particular de saúde dois dias após sentir febre e dor de garganta. Para ela, eram sintomas leves de alguma gripe ou pneumonia, como inicialmente avaliou um médico que a examinou no dia 18 de abril. No entanto, do dia 19 para o dia 20 a situação piorou.
Durante as primeiras 72 horas na unidade, ela precisou de oxigênio extra devido ser asmática. Além disso, não conseguia dormir com medo de não respirar. As dificuldades, segundo a jovem, serviram para entender que a doença não escolhe “idade ou classe social”.
“O que mais me assustava era que eu era nova demais para ter os sintomas tão severos. E eu confesso que ainda duvidei um pouco do vírus. Pensei que, por ser nova, eu não teria os sintomas tão severos… porém eu me enganei. Hoje sou prova viva que o vírus não escolhe idade, classe social… ele escolhe pessoas”, afirmou Ana.
Ana Maria Vieira respirando com ajuda de oxigênio extra
Ana Maria Vieira/Arquivo pessoal
Após os três primeiros dias ela apresentou melhora, passou a respirar por conta própria, mas a solidão de não poder receber visitas causou abalo emocional. Quando o medo de não se recuperar virava choro, ela conta que o apoio dos profissionais de saúde era fundamental.
“Eu só tive a visita das melhores enfermeiras do mundo. Porque, por mais que elas estivessem sobrecarregadas, elas estavam lá dando apoio. Eu, chorando, com medo de morrer, e elas vinham até mim, sempre com palavras boas e de força”, relembrou.
Moradora de Santana, município com segundo maior número de casos do estado, a 17 quilômetros da capital, Ana já saiu da fase de transmissão viral. No entanto, ela comenta que ainda não se recuperou totalmente. A jovem está em isolamento social na casa do namorado, ainda apresenta quadro clínico de pneumonia e tem lesões no pulmão.
Ana Maria Vieira, quando deixou de respirar com ajuda de equipamentos
Ana Maria Vieira/Arquivo pessoal
Ela acredita que logo estará bem novamente. Do tempo internada, além do carinho pelos enfermeiros e médicos, ficou o aprendizado de não duvidar da doença, que surgiu no fim de 2019, é desconhecida e já matou mais de 12 mil pessoas no Brasil até terça-feira (12).
“Quero dizer para os jovens que não subestimem o vírus. Ele mata. Ele está matando sonhos. Matando famílias. Matando pessoas que a gente ama. Obedeçam o isolamento social. São vidas, são pessoas que a gente ama”, finalizou Ana.
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By Negócio em Alta