
Justiça aceitou denúncia do MP e tornou réus 5 presos pelas mortes do casal de empresários e do filho deles em janeiro em Santo André. Corpos foram achados queimados em São Bernardo. Romuyuki, Flaviana e Juan foram encontrados carbonizados no ABC
Reprodução/TV Globo
A Justiça tornou réus cinco presos acusados de matar e queimar um casal de empresários e seu filho adolescente no início deste ano na região do ABC Paulista. A informação foi confirmada nesta terça-feira (12) pelo G1.
Entre os acusados de matar Romuyuki Veras Gonçalves, de 43 anos, sua mulher, Flaviana de Meneses Gonçalves, de 40, e o filho deles, o estudante Juan Victor Gonçalves, 15, estão a filha das vítimas e a namorada dela. São elas, respectivamente: Anaflávia Martins Meneses Gonçalves, 24, e Carina Ramos de Abreu, 26.
Os demais acusados são dois irmãos, primos de Carina, e outro comparsa. São eles, respectivamente: Juliano Oliveira Ramos Júnior, 22, e Jonathan Fagundes Ramos, 23. O outro réu é Guilherme Ramos da Silva, 19, vizinho deles.
Todos os cinco réus estão presos preventivamente até que sejam julgados por assassinato, roubo, ocultação de cadáver e associação criminosa. A data do julgamento ainda não foi marcada.
De acordo com a acusação feita pelo Ministério Público (MP), os crimes foram cometidos entre os dias 27 e 28 de janeiro deste ano nas cidades de Santo André, onde as vítimas moravam, e em São Bernardo do Campo, onde os corpos foram encontrados.
Carina Ramos e Ana Flávia Gonçalves são investigadas por suspeita de participação no crime no ABC
Reprodução/Redes sociais
Desse modo, o júri popular será realizado em Santo André, onde ocorreram os assassinatos, e não mais em São Bernardo, onde o caso era investigado.
Ainda segundo o MP, Romuyuki, Flaviana e Juan foram mortos com golpes na cabeça durante um assalto na casa das vítimas, num condomínio fechado em Santo André. Câmeras de segurança gravaram a entrada e saída de alguns acusados no imóvel. No dia seguinte, seus cadáveres foram achados carbonizados dentro do carro da família em São Bernardo.
Para a promotora Thelma Thais Cavarzere, o grupo decidiu invadir a residência das vítimas para simular um falso assalto com reféns. O objetivo dos criminosos era ficar com bens móveis e financeiros da família.
De acordo com a Promotoria, as namoradas Anaflávia e Carina, que moravam em outro imóvel em Santo André, queriam R$ 85 mil do casal de empresários que estaria guardado num cofre.
Para conseguirem a senha dele, os bandidos torturam a família. Os três foram amarrados e amordaçados. Como não encontraram dinheiro, mataram as vítimas, segundo o MP.
Homem confessa como grupo matou família
Apesar de confessarem participação no roubo, os acusados deram versões diferentes para os homicídios. Diante disso, a Justiça determinou que seja feita uma acareação entre eles.
A reconstituição dos crimes já foi feita em 12 de março, com o que cada um dos réus falou à polícia.
No dia 30 daquele mesmo mês, o Ministério Público denunciou os acusados.
“Carina e Anaflávia mataram as vítimas por motivo torpe, consistente na cobiça de ambas, em ficar com a casa, veículos, dinheiro que achavam que estava no cofre e dinheiro do seguro de vida. Juliano, Jonathan e Guilherme agiram mediante promessa de recompensa. Todos os cinco empregaram meio cruel para matar as vítimas “, diz trecho da denúncia da promotora Thelma.
‘E se utilizaram de recurso que dificultou a defesa das vítimas, pois além de estarem em superioridade numérica, e de amarrar, amordaçar e entorpece-las, tinham no grupo duas pessoas da família, Carina e Anaflávia, cuja presença não gerava suspeita”
Polícia faz reconstituição de crime que matou família no ABC
E no dia 24 de abril a Justiça concordou e tornou os cinco réus no processo, mantendo ainda as prisões deles.
“Trata-se de delito gravíssimo, que atenta contra o bem jurídico de maior valor no ordenamento jurídico pátrio: a vida humana. Além disso, é capitulado como hediondo em nossa legislação, circunstância que revela maior grau de reprovabilidade da conduta”, escreveu a juíza Milena Dias, de Santo André.
“Tais circunstâncias demonstram periculosidade dos agentes e conduta avessa ao convívio social, tornando imperiosa a prisão preventiva, a fim de se garantir a ordem pública”, continuou a magistrada na decisão que aceitou a denúncia do MP.
O G1 não conseguiu localizar os advogados de defesa dos réus para comentar o assunto.
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