Corpos são trocados em Maceió e homem é enterrado no lugar de mulher


Famílias dizem que troca ocorreu no hospital Santório. Hospital diz que culpa foi da funerária. Corpos de idosos são trocados no hospital Sanatório, em Maceió
Duas famílias de Maceió vivem o drama de ter os corpos de parentes trocados. Juarez Queiroz de Lima, 64 anos, morador do bairro do Bebedouro e Benedita Francisca Cândido dos Santos, 78 anos, moradora da Ponta Grossa, morreram no hospital Sanatório e tiveram os corpos trocados. De acordo com as famílias, o corpo de Juarez foi enterrado no lugar do corpo de Benedita.
Por meio de nota, o Hospital Santório informou que ” houve obediência aos protocolos indicados, mas um triste incidente fez com que, a despeito da identificação, serviço funerário privado fizesse o traslado de corpo equivocado” (confira nota na íntegra ao final do texto).
Juarez Queiroz e Benedita Francisca, moradores de Maceió, tiveram corpos trocados em hospital
Arquivo Pessoal
A família de Benedita achou que o sábado seria só para viver a dor do luto, mas foi ainda pior. Os parentes só foram informados neste sábado que o corpo que eles enterram no dia anterior no cemitério do Benedito Bentes pensando ser o da Benedita, na verdade era o corpo de Juarez. Um dia depois do sepultamento, a família de Benedita foi informada que o corpo da idosa continuava no necrotério do hospital..
Uma das filhas de Benedita, a sargento da PM-AL Marta Albênia disse que o teste para Covid-19 da mãe deu negativo. Ela reclamou do descaso no caso da troca de corpos.
Benedita Francisca, de 78 anos,morreu em Maceió e teve corpo trocado no Hospital Sanatório
Arquivo Pessoal
Juarez morreu de insuficiência renal e Covid-19, às 12h49 de sexta-feira (8) no Sanatório. A família não pôde reconhecer o corpo. Quando conseguiu resolver as pendências no cartório e a funerária foi buscar Juarez para o enterro na manhã deste sábado, o corpo havia sumido do necrotério do hospital.
“A cova já estava cavada, a família esperando, o carro da funerária pronto, mas quando a funerária entrou, nenhum dos três corpos era do meu pai”, contou a filha de Juarez, Bianca Bernardo de Lima.
A família fez um boletim de ocorrência (B.O.) e até as 17h deste sábado, ainda aguardava o problema ser resolvido. Já a família da idosa acionou advogada.
Nota do Hospital Santório
A propósito de recentes denúncias e reportagens envolvendo o nome do Hospital Geral Sanatório em caso de troca de pacientes falecidos, algumas considerações se fazem urgentes.
A Liga Alagoana contra a Tuberculose, entidade mantenedora do Hospital Sanatório, é uma entidade que, há mais de 70 anos, presta serviços de atendimento à saúde para os alagoanos. Somos parte da história do Estado, e temos orgulho disto.
Como entidade filantrópica reconhecida em todos os níveis de governo, o Hospital possui, ainda, o reconhecimento enquanto entidade beneficente de assistência social, mercê de dedicar cerca de 90% dos seus atendimentos ao Sistema Único de Saúde.
Vive-se um momento inédito nesta geração, com a pandemia ocasionada pelo novo Coronavírus – COVID-19. A Organização Mundial da Saúde – OMS declarou Emergência em Saúde Pública de Importância Internacional, em 30 de janeiro de 2020.
As práticas cotidianas nas nossas famílias e nos nossos trabalhos mudaram. No seio hospitalar, não poderia ser diferente. O respeitoso momento de despedida dos nossos familiares e amigos foi tolhido, não por vontade livre e espontânea das autoridades ou dos estabelecimentos hospitalares, mas diante de imperativos de saúde pública.
Os pacientes que falecem vitimados pelo COVID-19 são cuidados, com toda a dignidade possível dentro do que se espera neste momento. Merecedores do nosso respeito, são vítimas de um inimigo invisível que desafia o sistema de saúde e o nosso modo de vida. Ao falecer, são lacrados em invólucros e etiquetados, para a correta identificação, mercê do grande potencial de contaminação do vírus que estamos enfrentando. As perdas já somam mais de dez mil vidas, em âmbito nacional, e o momento inspira cautelas.
No caso narrado, houve obediência aos protocolos indicados, mas um triste incidente fez com que, a despeito da identificação, serviço funerário privado fizesse o traslado de corpo equivocado.
O Hospital Sanatório, ciente de que cumpriu as formalidades exigidas diante do cenário pandêmico, solidariza-se com as famílias. Somente irmanados para enfrentar a situação de calamidade pública é que poderemos superar o desafio, dentro de um legítimo espírito comunitário.
Ao tempo em que lamentamos o ocorrido, colocamo-nos à disposição dentro da nossa missão maior, prestar assistência à saúde da sociedade alagoana.
Atenciosamente,
A DIRETORIA
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By Negócio em Alta