
Setores serão autorizados a funcionar em dias específicos. Apesar da preocupação do Sindicomerciários, Federação do Comércio (Fecomércio) acredita que a retomada será segura e organizada. Representantes do comércio no ES falam sobre reabertura gradual de lojas
A reabertura gradual e alternada do comércio no Espírito Santo, anunciada pelo governo nesta sexta-feira (8), é vista com preocupação pelo Sindicato dos Comerciários. Para a categoria, o retorno das atividades, mesmo com restrições, causa insegurança com relação à saúde dos trabalhadores e clientes. Por outro lado, a Federação do Comércio (Fecomércio) acredita que a retomada do atendimento presencial será segura e organizada.
Foi durante uma entrevista coletiva transmitida pela internet que o governador, Renato Casagrande (PSB), informou sobre a mudança. Até então, nos municípios classificados como Alto Risco, os comércios considerados não essenciais estavam autorizados a funcionar apenas em esquema de delivery, drive-thru ou atendimento por agendamento.
Essa classificação (risco baixo, moderado, alto ou extremo) é baseada no Mapa de Risco e leva em consideração a taxa de disponibilidade de leitos de UTI e o coeficiente de casos confirmados do novo coronavírus (Covid-19) nas cidades.
As análises são semanais e, por isso, a classificação das cidades é flexível. Nesta semana, o grupo de Risco Alto é composto por Cariacica, Fundão, Serra, Viana, Vila Velha, Vitória e Santa Teresa.
A partir de segunda-feira (11), nesses municípios, o comércio de rua vai funcionar de forma alternada. Enquanto alguns setores poderão abrir nos dias pares do calendário, outros só funcionarão nos dias ímpares. O horário de funcionamento será das 10h às 16h.
Os restaurantes, que podiam abrir nos finais de semana, agora só podem funcionar de segunda a sexta-feira. Shoppings, academias e escolas continuam fechados.
Decisão divide opiniões: Sindicomerciários x Fecomércio
Para o presidente do Sindicomerciários, Rodrigo Rocha, a mudança causa preocupação.
“No momento onde as autoridades de saúde recomendam a ampliação do isolamento – até mesmo porque hoje o Estado conta com 70% dos leitos ocupados – liberar o comércio aumentando o número de pessoas na rua não nos parece ser o momento oportuno para essa decisão”, disse.
Rocha acrescentou que o medo é que os trabalhadores, principalmente, aqueles que têm alguma doença pré-existente, sejam expostos ao risco de contrair o novo coronavírus.
“O nosso medo é porque, na nossa categoria, principalmente no setor lojista, existe um grande número de trabalhadores com comorbidades. Eles serão obrigados a ir até os postos de trabalho. Isso pode tornar o comércio um ponto de infecção e disseminação do vírus. Não só nos trabalhadores, mas também nos empresários e clientes”, explicou.
Ainda de acordo com Rocha, nas cidades do interior – onde o comércio está autorizado a funcionar, já que a incidência de coronavírus é menor – o índice de isolamento social tem caído.
“É uma experiência negativa, porque caiu o número do isolamento social. A gente acreditava que o comércio precisava de pelo menos mais uma semana [fechado]. Mas, como houve essa decisão do governo, o sindicato vai estar fiscalizando e cobrando cumprimento das normas, inclusive, pelas vias judiciais”, disse.
Na Grande Vitória, mesmo antes da liberação, fiscalizações feitas pelas prefeitura encontraram grande movimentação nas áreas comerciais. Em Campo Grande, em Cariacica, a circulação de pessoas era intensa na terça-feira (5). Neste sábado (9), véspera de Dias das Mães, a Avenida Expedito Garcia estava cheia.
Avenida Expedito Garcia, em Cariacica, neste sábado (9)
Reprodução/ TV Gazeta
Já o diretor da Fecomércio, Lésio Contarini, acredita que os patrões e comerciantes já foram orientados e estão preparados para garantir a segurança dos funcionários.
“A Fecomércio tem, insistentemente, enviado uma cartilha para nossos comerciantes com a resolução que a Secretaria de Saúde nos passou. Todo comerciante está preparadíssimo para atender. O comércio onde já foi permitido abrir não está tendo aglomeração, está tendo o respeito de usar máscara, está tendo a insistência de pedir para a população usar máscara. Vai ser uma coisa muito bem feita e organizada”, garantiu.
Contarini também assegurou que os funcionários com comorbidades serão preservados, inclusive, porque a demanda mais baixa de trabalho contribui para que eles sejam dispensados das atividades durante a pandemia.
“Desde o dia que foi dado o fechamento do comércio, todo funcionário com mais de 60 anos, com problemas cardíacos, problemas pulmonares, os menores aprendizes, todos foram afastados. Visto que o comércio estava fechado, não haveria necessidade de ter essa pessoa. Agora, mesmo abrindo o comércio, onde já estava funcionando não tinha necessidade, estávamos operando com menos de 50%. Isso está tranquilo para a gente”, disse.
Comerciantes adotam medidas para evitar o contágio de coronavírus, no ES
Reprodução/ TV Gazeta
Fiscalização e multa
Também como medida para garantir a segurança durante a reabertura do comércio, o governo assinou um decreto que obriga o uso de máscaras de proteção contra o coronavírus por parte de clientes e de trabalhadores de empresas, instituições e organizações religiosas, bem como para todos os usuários do sistema Transcol.
Empresas que descumprirem a norma estarão sujeitas à advertência e ao pagamento de uma multa de R$ 5,2 mil.
Regras para funcionamento do comércio
Divulgação/ Governo do ES
Regras para o funcionamento do comércio
Divulgação/ Governo do ES
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