
Apresentações acontecem a partir das 20h, com o objetivo de levar conforto e paz a quem tem que ficar dentro de casa. Luzes indicam o projeto, no edifício Acaiaca, o mais alto da capital.
Luiza Parreira
Um som que vem do alto. Músicas suaves que marcaram épocas e mensagens positivas embaladas pelo violão, saxofone, flauta, bateria e teclado. Assim é o projeto Música na Torre, que leva conforto e paz aos moradores de Nova Lima e da capital, nestes dias difíceis de pandemia.
A ideia surgiu depois que o saxofonista Leandro Chuim recebeu um pedido dos vizinhos para se apresentar na varada de casa durante a quarentena. Para ampliar o alcance de pessoas, o músico decidiu cantar do alto da Igreja de Santo Antônio, no bairro onde mora, em Nova Lima. Autorizado pelo padre, convidou os amigos para participarem da apresentação.
A presença dos músicos nas janelas da Igreja de Santo Antônio chamou a atenção de quem passava pelo local.
O restante do grupo veio voluntariamente. Hoje, além do Leandro, o Música na Torre conta com os músicos Paulo Sena, Alex Silva e Vitor Dieguez; os técnicos de som e luz Thiago Almeida, Matheus Malta e Henrique Machado; e o fotógrafo Wendel Henrique, responsável pelos registros.
Apesar de serem oito pessoas envolvidas no projeto, eles tomam cuidado para não ferirem as recomendações das autoridades de saúde, mantendo-se sempre distantes um do outro, e com máscaras.
Músico desde os 4 anos de idade, o tecladista e multi-instrumentista Vitor conta que a primeira apresentação aconteceu no último Domingo de Páscoa. Até o momento foram quatros shows, todos realizados com recursos próprios. O grupo chegou a se apresentar no terraço do edifício Acaiaca, prédio mais alto de Belo Horizonte, famoso pelas esculturas de índios em sua fachada.
“No início, os moradores procuram de onde vem o som. Depois se emocionam e se encantam com a música e as luzes. De suas casas, aplaudem, cantam, acendem as lanternas dos celulares e piscam as lâmpadas. É gratificante ver nossa arte levando paz às pessoas neste momento tão delicado”.
O multi-instrumentista Vitor Dieguez se preparando para mais uma apresentação, quando o uso de máscara ainda não era obrigatório.
Aislan Junior
A intenção é que o o Música na Torre continue durante toda a pandemia e o isolamento social, seguindo as recomendações das autoridades de saúde. “Pretendemos seguir em frente, sempre em locais abertos, altos e com boa visibilidade e projeção sonora para a comunidade”, diz Vítor.
Moradores registram apresentação no alto de uma torre, em Nova Lima
Em homenagem ao Dia das Mães, o projeto estará no heliponto do Edifício Seculus, na região central de BH, neste domingo (10), a partir das 20h.
Para a artesã Sandra Carolina Brasil Dias, de 62 anos, o show é acalanto para a alma:
“Sempre me emociono quando começam a tocar. É um sentimento de paz e esperança de que tudo isso vai passar logo”.
Para os artistas, a música cura. “Doamos nossa arte com alegria e amor no coração. Estamos também muito gratos pelo reconhecimento das pessoas. Recebemos várias mensagens de agradecimento e incentivo a cada apresentação”, concluiu Vitor.
A primeira edição do Música na Torre aconteceu na Igreja de Santo Antônio, em Nova Lima.
Marcelo Novy
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