O governador de São Paulo, João Doria, disse que o cenário da pandemia no estado é desolador. Possibilidade de lockdown por causa do aumento no número de casos de Covid-19 também não foi descartada. Governo de São Paulo decide prorrogar quarentena no estado até o fim de maio
O governo de São Paulo prorrogou a quarentena até o fim de maio e não descartou a possibilidade de decretar um lockdown.
Dor.
“Minha mãe era tudo na minha vida. Eu tento ser forte, mas é difícil”, lamenta Jéssica Andrade.
Preocupação.
“Aí, quando meu pai foi para lá, eu pensei ‘será que vai acontecer a mesma coisa que aconteceu com a minha mãe? Meu pai também vai?’, conta.
E medo.
“Não sentia o cheiro das coisas, o gosto. Falta de apetite, dor de cabeça, muito enjoo, dor no corpo”, explica.
Moradora da favela de Paraisópolis em São Paulo, Jéssica sentiu na pele a devastação causada pela Covid-19: a mãe morreu, o pai ficou mal e ela passou dez dias em isolamento em uma casa de acolhida para proteger o resto da família.
“Eu não queria que eles contraíssem essa doença também. Eu não podia perder mais ninguém para ela”, explica.
E a dor vai se espalhando junto com a doença.
Dois gráficos mostram que à medida que o isolamento foi diminuindo em São Paulo, o número de casos foi aumentando até chegar aos mais de 41 mil desta sexta-feira (8).
“Eu gostaria de dar hoje uma notícia diferente, daquela que vou dar agora, mas o cenário é desolador. Teremos que prorrogar a quarentena até o dia 31 de maio. Você que já passou por um período tão difícil de privação, aqui em São Paulo e em outras regiões do país, compreenda que a nossa decisão de prolongar a quarentena é a decisão pela vida”, disse o governador João Doria.
Por isso, o governo do estado vai esperar até ter as condições para relaxar as medidas de isolamento.
“A redução sustentada do número de casos por 14 dias e uma taxa de ocupação de leitos de UTI inferior a 60%. Esses dois índices dependem da taxa de isolamento E o número básico aqui, nós estamos trabalhando, é 55% no mínimo”, afirmou Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan.
A preocupação principal é sempre com a relação entre leitos e doentes. Com as UTIs chegando ao limite na Grande São Paulo, a prefeitura da capital começou a alugar leitos nos hospitais particulares.
“Imaginamos contratar até o final de maio, início de junho, 500 leitos de UTI na rede privada para complementar o trabalho de implantação dos leitos de UTI na rede pública”, avalia Edson Aparecido, secretário municipal de Saúde.
Mais difícil é acertar a mobilidade. Depois de voltar atrás nos bloqueios, a prefeitura da capital recebe críticas e pedido de explicação do Ministério Público sobre o rodízio que deve começar na segunda-feira (11). A ideia é que de acordo com o final da placa, metade da frota possa rodar em dias pares do mês e a outra metade em dias ímpares.
Enquanto novidades causam discussão, quem viveu as perdas da Covid-19 prega o que já é comprovado: ficar em casa é a melhor prevenção.
“Eu queria que as pessoas se cuidassem, que se protegessem ao máximo, pra proteger a própria vida e a dos seus familiares”, disse Jéssica.
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