
Renan Silva Sena era funcionário terceirizado do Ministério dos Direitos Humanos. ‘Por ser grupo de risco ele estava em home office, mas não atendia chamados desde abril’, diz empresa responsável pela contratação. Renan Sena e apoiadores do presidente Jair Bolsonaro, nesta quarta-feira(6).
Afonso Ferreira/G1
Renan Silva Sena, o homem que agrediu duas enfermeiras, na sexta-feira (1º), durante um ato pelo isolamento social, em Brasília, era funcionário terceirizado do Ministério da Mulher da Família e dos Direito Humanos (MMFDH) contratado pela G4F Soluções Corporativas Ltda, desde o dia 5 de fevereiro.
“No final de março, ele foi afastado para trabalhar em sistema de home office, por ser grupo de risco para o coronavírus, e em abril parou de atender as chamadas do ministério”, disse nesta quarta-feira (6), a empresa que responsável pela prestação de serviços ao governo federal.
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Ex-funcionário do Ministério dos Direitos Humanos que agrediu enfermeiras permanece nos arredores do Palácio do Planalto
Em nota enviada ao G1, a G4F informou que o setor ao qual o funcionário estava vinculado no MMFDH não conseguia contato com ele desde 16 de abril. “Nosso setor de recursos humanos fez todos os esforços para localizá-lo, pois havia uma suspeita de que ele poderia estar com problemas de saúde”, diz a empresa.
Confusão durante ato em favor do isolamento social, em Brasília
Arquivo pessoal
“Em 23 de abril, finalmente, conseguimos contato, verificamos e reportamos aos gestores do contrato que o afastamento dele não era justificado”, aponta a empresa. Segundo a G4F , o ministério solicitou o desligamento de Renan Sena.
“Em atenção à legislação trabalhista, o procedimento adotado foi o de descontar os dias não trabalhados e encerrar o contrato ao final do prazo de experiência, no dia 4 de maio.”
De acordo com o MMFDH e com a empresa G4F, a decisão do desligamento de Renan já havia sido tomada antes do dia 1º de maio, quando ocorreram as agressões durante o protesto em frente ao Palácio do Planalto.
“Desde 23 de abril ele não exercia mais qualquer atividade relacionada ao órgão, assim, o ex-colaborador seria desligado ainda que não tivesse participado dos episódios lamentáveis e absolutamente condenáveis aos quais está supostamente vinculado”, diz a nota.
A empresa afirma ainda “se solidarizar com todos os profissionais de saúde do Brasil e do mundo, que estão dedicando suas vidas ao combate da Covid-19 e merecem nossos aplausos”.
Renan Sena é visto diariamente na Praça dos Três Poderes
Homem que agrediu enfermeiras continua nos arredores do Palácio do Planalto, em Brasília
Nesta quarta-feira, o G1 localizou Renan Silva Sena nos arredores do Palácio do Planalto. Vestido com uma camiseta com o rosto do presidente Jair Bolsonaro, ele estava junto a um grupo de apoiadores do governo e não falou com a reportagem.
O ex- funcionário do MMFDH gravava vídeos e conversava com outras pessoas. Uma placa próxima dizia “Acampamento patriota”.
Na terça-feira (5), Renan Silva Sena também esteve em frente ao Palácio do Planalto. Quando o presidente Jair Bolsonaro saiu até a rampa, ele gritou palavras de apoio (veja vídeo acima).
“Estamos do seu lado, de qualquer decisão sua”, disse o engenheiro. Pelas imagens, o presidente não chegou a falar com Sena.
Enfermeiras agredidas
Vídeo mostra confusão com manifestante vestido de verde e amarelo
A manifestação dos profissionais de saúde ocorreu na manhã do feriado do Dia do Trabalhador (1º). O ato, segundo os organizadores, “era para reforçar a necessidade da população cumprir o isolamento social e prestar uma homenagem à memória dos 55 enfermeiros, técnicos e auxiliares que já perderam a vida na linha de frente do combate ao coronavírus”.
Usando jaleco e máscaras, os manifestantes seguravam cruzes em referência aos mortos e erguiam cartazes com frases como “enfermagem em luto pelos profissionais vítimas da Covid-19. Fique em casa”.
Por volta das 9h30, um homem vestido de verde e amarelo – que depois foi identificado como Renan Sena – começou a filmar. Na camisa, ele estampava os dizeres “meu partido é o Brasil”.
Outras duas pessoas foram identificadas por participar das agressões, o empresário goiano Gustavo Gayer Machado de Araújo e a empresária Marluce de Carvalho Oliveira.
Ele divulgou um vídeo nas redes sociais afirmando que as pessoas que participavam do protesto não eram profissionais de saúde. Ela apareceu em vídeos xingando enfermeiros de “medíocres” e “analfabetos funcionais” (assista abaixo).
Identificados agressores de enfermeiros
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