Coronavírus: RJ registra recorde no número de mortes e de casos confirmados

Sem restrições mais duras, pesquisadores da Fiocruz preveem um longo período de falta de leitos, médicos e equipamentos na rede de saúde, e sofrimento e mortes para milhares de famílias. Coronavírus: RJ registra recorde no número de mortes e de casos confirmados
O Rio de Janeiro atingiu um recorde no número de casos confirmados e nas mortes registradas em um período de 24 horas.
Comércio aberto, vai e vem de pessoas. Nas ruas e calçadões da Zona Oeste do Rio, não se vê distanciamento social nem tanta gente preocupada em se proteger. E é exatamente nesta região que estão três dos seis bairros onde houve mais mortes por Covid-19 na cidade até agora. Inclusive o recordista em óbitos, o bairro de Campo Grande.
No estado já são 1.205 mortes, 82 confirmadas só nas últimas 24 horas. Um recorde desde que começou a pandemia. Pelos registros dos cartórios, o número é ainda maior: 2.783 vítimas de Covid-19.
Ryan, de apenas quatro anos, chegou ao hospital com dores na barriga na semana passada. O atestado de óbito diz que ele morreu na terça (5) de síndrome respiratória aguda grave, pneumonia viral e infecção por causa do coronavírus.
O estado do Rio tem 13.295 casos confirmados da doença e 1.112 pessoas estão na fila de espera por um leito. E 500, em estado grave.
O Ministério Público do Rio quer que o governo do estado e a prefeitura se manifestem até esta quinta (7) sobre a possibilidade de tomar medidas mais rígidas de isolamento social, como o chamado lockdown, o bloqueio total de circulação.
O MP se baseou num estudo da Fiocruz. Sem restrições mais duras, os pesquisadores preveem um longo período com falta de leitos, médicos e equipamentos na rede de saúde, e sofrimento e mortes para milhares de famílias. A Fiocruz diz que a implantação de lockdown não pode acontecer sem a adoção de medidas de apoio econômico e social às populações vulneráveis.
“Elaboramos esse documento porque entendemos que é necessário salvar vidas e preparar o sistema de saúde frente à essa escalada”, disse a presidente da Fiocruz, Nísia Trindade Lima.
No começo da noite desta quarta-feira (6), o prefeito Marcelo Crivella anunciou que vai endurecer as regras de isolamento, mas apenas no bairro de Campo Grande. “A partir de amanhã, sete de maio, às 5 horas da manhã, por sete dias, o calçadão de Campo Grande ficará interditado”, disse.
O governador Wilson Witzel disse que vai intensificar a fiscalização das medidas de isolamento já implementadas no estado.

By Negócio em Alta