O posto está no centro da acusação feita pelo ex-ministro Sergio Moro, de que o presidente Bolsonaro teria tentado interferir politicamente nos trabalhos da PF. Delegado Tácio Muzzi será o novo superintendente da Polícia Federal do Rio de Janeiro
O delegado Tácio Muzzi será o novo superintendente da Polícia Federal no Rio de Janeiro. O posto está no centro da acusação feita pelo ex-ministro Sergio Moro, de que o presidente Bolsonaro queria interferir politicamente nos trabalhos da Polícia Federal.
A mudança na superintendência do Rio foi o primeiro ato do novo diretor-geral da Polícia Federal, Rolando de Souza, que tomou posse nesta segunda (4). Ainda na segunda-feira, Rolando já convidou o atual superintendente do Rio, Carlos Henrique Oliveira, para assumir a direção executiva da PF. Um cargo de direção, mas apenas com funções administrativas, em Brasília, sem participação nas investigações. A movimentação é alvo de um questionamento na Justiça Federal em Brasilia. O presidente Bolsonaro tem 72 horas para explicar a saída de Carlos Henrique do Rio de Janeiro.
O escolhido para o lugar dele, Tácio Muzzi, é delegado desde 2003. Ele chefiou a Delegacia de Repressão à Corrupção e Crimes Financeiros no Rio e participou de investigações como a que prendeu o ex-chefe de Polícia Civil do Rio, Álvaro Lins. Foi também diretor adjunto do Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional do Ministério da Justiça e diretor do Depen, Departamento Penitenciário Nacional. Em 2019, passou cinco meses com superintendente interino no Rio, antes de Carlos Henrique assumir.
O novo diretor-geral decidiu trocar, até agora, os superintendentes de cinco estados. Do Rio, sai Carlos Henrique Oliveira de Sousa, para assumir a direção-executiva. Do Rio Grande Sul sai Alexandre Isbarrola, para assumir a diretoria de Inteligência Policial, que faz relatórios sigilosos que embasam investigações. De Alagoas, sai João Vianey Xavier Filho, para comandar a corregedoria-geral. Da Paraíba, sai André Viana Andrade, para a diretoria de Administração e Logística Policial. Do Tocantins, sai a delegada Cecília Franco, para a diretoria de Gestão de Pessoal. Sai o delegado Fábio Salvador da diretoria técnico-científica da PF e entra o perito criminal federal Alan de Oliveira Lopes, que era assessor especial do Ministério da Infraestrutura.
Outras duas diretorias não vão sofrer trocas. Igor Romário de Paula será mantido na diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado; é de responsabilidade dele o grupo de delegados que atua em inquéritos no Supremo Tribunal Federal, como o que apura a tentativa de interferência do presidente na PF. Na diretoria de Tecnologia da Informação e Inovação, fica William Marcel Murad, também mantido no cargo.
Nos bastidores, delegados aguardam mais mudanças em superintendências de outros estados, entre eles, Pernambuco. No depoimento à Polícia Federal, Moro relatou que Bolsonaro também queria a troca no estado, além do Rio de Janeiro.
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