Produtores de hortaliças e flores de Mogi sofrem com queda nas vendas e prejuízos durante a pandemia


Produtores enfrentam dificuldades para escoar mercadorias mesmo perto do Dia das Mães, data considerada fundamental nesse segmento. Alguns deles fazem doações de parte da produção. Produtores de hortaliças e flores de Mogi das Cruzes sofrem com queda nas vendas
Desde o início da quarentena por causa da pandemia do novo coronavírus, produtores de hortaliças e flores de Mogi das Cruzes sofrem com a queda nas vendas. E, apesar das doações que alguns deles fazem, os prejuízos no campo são inevitáveis.
Em um sítio em Mogi, o floricultor Fábio Dan cultiva 17 espécies de orquídeas: são 200 mil vasos por ano, que abastecem o mercado atacadista de todo o Brasil. Mas a beleza das flores não resistiu à crise provocada pela pandemia. Orquídeas que já deveriam ter sido vendidas há um mês estão murchando na estufa. Encontrar o lugar lotado de mercadorias não é bom sinal, ainda mais tão perto do Dia das Mães, que será comemorado no próximo domingo.
“Na nossa atividade da floricultura, o Dia das Mães é a melhor data do ano. Nós preparamos toda a produção para essa data e acabamos concentrando quase 50% da nossa produção nessa data. Ter essa queda nas vendas no Dia das Mães vai afetar muito nosso setor”, diz Fábio.
Mesmo com os preços 30% mais baixos do que no ano passado, as vendas despencaram desde o início da pandemia. Fábio, por exemplo, já estima uma queda de 50% no faturamento de 2020. Além disso, de acordo com o Instituto Brasileiro de Floricultura, em duas semanas, o setor acumulou prejuízos de quase R$ 300 milhões.
Escoamento da produção foi afetado por conta da pandemia do coronavírus
Reprodução/TV Diário
“Nós perdemos o ponto de venda para varejo, então o escoamento dessas flores que já estavam produzidas ficou muito difícil. Com isso, muitas ações dos próprios produtores estão sendo feitas para tentar escoar o produto que já está produzido, com vendas on-line, delivery. Mas isso é um método muito difícil, porque a logística é muito complicada”, explica Tsutomu Makita, presidente da Associação dos Floricultores da Região da Via Dutra.
A retração também coloca em risco o trabalhador do campo. Só na região, são cerca de 7 mil empregos diretos gerados pela produção de flores. “Daqui para frente, se perdermos o giro, começamos a dispensar funcionários. O governo tem que nos ajudar, tomar algumas medidas para que possamos sair dessa situação”, completa Makita.
Para aliviar a tristeza, Fábio está doando parte da produção que teria de ser descartada. “Ver essas plantas todas floridas sendo jogadas fora dá uma dó enorme, uma dor no coração. A solução foi passar o nosso propósito de levar a felicidade para asilos, profissionais da saúde, assistências sociais. Já doamos para creches também”, conta Fábio.
Doar e reduzir os preços das mercadorias não são práticas adotadas somente na floricultura. Os agricultores de hortaliças também acumulam prejuízos por causa da quarentena. De acordo com o sindicato rural de Mogi, o produtor que depende das feiras livres e dos restaurantes teve uma queda de cerca de 70% nas vendas. Já para os que entregam para supermercados e sacolões, essa redução foi de 20%.
É o caso da agricultora Regina Soares Gama da Silva, que cultiva temperos em uma área de um hectare. Ela costumava vender 180 maços de cebolinha e 80 de salsa por semana para feirantes da região, mas, atualmente, mais da metade dessa produção está sem comprador. Com isso, ela está explorando apenas 40% da capacidade do sítio e o investimento em manutenção também parou.
“Nós não investimos em mudas, adubos, remédios, em nada disso. Estamos reaproveitando muda de cebolinha. Semente de salsa a gente colheu de outra safra, então tínhamos guardado. Mas para este ano eu não tenho expectativa nenhuma”, diz Regina.
Vale lembrar que 30% das hortaliças cultivadas no Estado de São Paulo estão na região de Mogi das Cruzes. Segundo a Secretaria Estadual de Agricultura, isso representa 25 mil toneladas de alimentos produzidos por dia.
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By Negócio em Alta