‘Aqui a urgência é a fome’, diz líder de ocupação em BH que serve almoço comunitário durante pandemia


A comunidade Rosa Leão e outras três da Região Norte se uniram para tentar matar a fome de crianças e desempregados. ‘Aqui a urgência é a fome’, diz líder de ocupação em BH que serve almoço comunitário
Arroz, feijão, macarrão com salsicha. “A gente faz o que dá. O que a gente consegue juntar entre nós. Teve dia que até teve carne com batata ensopada”, disse Charlene Cristiane, líder da Ocupação Rosa Leão, comunidade na Região Norte de Belo Horizonte (MG).
Desde o dia 27 de abril, café da manhã e almoço são servidos a moradores que não têm o que comer. Por causa do avanço do novo coronavírus (Sars-CoV-2), que causa a doença Covid-19, trabalhadores têm sido dispensados e os chamados “bicos” diminuíram. Muitos contam apenas com a ajuda de doações e de repasses do poder público. Alimentar a família tem sido uma luta diária.
“A nossa prioridade é as crianças. Quando estavam na escola, elas comiam quatro vezes por dia. Hoje, mesmo com cesta básica da prefeitura, a situação é difícil. Tem muita família com mais de cinco filhos”, disse Charlene.
Almoço comunitário é servido em comunidade pobre de BH
Charlene Cristiane/Arquivo pessoal
As pessoas que lotam a fila são orientadas a usarem máscaras e até a trazerem seus próprios talheres para evitar a contaminação, mas lá a urgência é outra. O Ministério da Saúde e a Organização Mundial de Saúde (OMS) também pede que as pessoas evitem contato próximo e aglomerações para barrar a disseminação e o contágio da Covid-19.
“A gente fala. Tenta conscientizar. Mas as pessoas não entendem que não é só doença de branco. De rico. Aqui a urgência é a fome”, contou a líder.
De acordo com Charlene, quatro pessoas da Ocupação Rosa Leão estão com Covid-19. A prefeitura disse que a Secretaria de Estado de Saúde é que divulga dados. Porém, o governo do estado informou que não há recorte da contaminação por bairros na capital.
Cartaz pede para que pessoas usem máscara, mas nem todos respeitam
Charlene Cristiane/Arquivo pessoal
Parte dos alimentos que chegam por meio de doações para as quatro comunidades que ocupam o terreno, chamado de “Izidora”, vira refeição de dezenas de pessoas todos os dias.
“A gente meio que decide o cardápio com o que tem. A gente faz um ‘junta junta’. A galera está se ajudando na dificuldade mesmo”, falou Charlene.
O café da manhã é servido às 9h e o almoço às 13h. As refeições são feitas por líderes comunitárias da ocupação Ziláh Spósito, vizinha à Rosa Leão.
“A gente faz o que pode. É uma carência que só vendo”, disse Charlene.
Ocupação Rosa Leão
A Ocupação Rosa Leão é uma das mais recentes de Belo Horizonte. Ela faz parte do terreno Izidora, composto por outras três comunidades. O local abriga um total de 30 mil famílias.
O Rosa Leão fica na Região Norte de Belo Horizonte e tem hoje cerca de sete mil moradores.
População: cerca de sete mil pessoas
Localização: Região Norte de Belo Horizonte
Origem: Ocupação começou em 2013 em um terreno que pertencia a uma empresa da capital.
Ocupação Rosa Leão
Arte/G1

By Negócio em Alta