
Apesar de irem a Unidades de Pronto-Atendimento, voltam para casa sem falar com um médico. ‘É humilhação isso aí. A pessoa pede um socorro e não é atendida’, diz uma delas. Com UPAs lotadas, pacientes enfrentam dificuldade em conseguir atendimento
O número de casos confirmados da Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, expande-se em Pernambuco, que contabilizou, até esta terça (5), 9.325 confirmações e 749 mortes. A pandemia fez aumentar também a quantidade de pessoas com sintomas da doença, e muitas delas encontram dificuldades para ser atendidas nas Unidades de Pronto-Atendimento (UPA) (veja vídeo acima).
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Quem não tem dinheiro para pagar uma consulta particular ou um plano de saúde recorre a essas unidades, mas há aqueles que voltam para casa sem conseguir serem atendidos por um médico. Foi o que aconteceu, por exemplo, com o ajudante de carga e descarga Cícero Azevedo na UPA da Imbiribeira, na Zona Sul do Recife.
“Desde sexta-feira (1º), estou com dor no corpo, febre, não quero comer e com dor de cabeça. Disseram que não vão atender. Vim aqui e disseram que estão atendendo só os de estado grave. Quer dizer que não é grave? Só morrendo”, disse.
“É humilhação isso aí. A pessoa pede um socorro e não é atendida. Vai para onde? Vou voltar para casa com medo”, afirmou.
O auxiliar de produção Auremir dos Anjos levou a sobrinha, que estava passando mal, à mesma UPA, mas tiveram que procurar ajuda médica em outro lugar. “Não tem atendimento e a menina está mal, sentindo dores, não está andando. Tem que segurar porque ela cai”, contou.
A resposta foi a mesma para Joel José Feliciano, auxiliar de serviços gerais. “Disseram que não está atendendo os adultos porque o médico está na sala vermelha e não tem previsão para atender os adultos”, declarou.
Pessoas encontram dificuldades para receber atendimento em UPAs no Recife
Reprodução/TV Globo
Na UPA dos Torrões, na Zona Oeste do Recife, a autônoma Joseanna Maria da Silva saiu aos prantos e tremendo. “Treme tudo, falta de ar. Mas aqui, em Jaboatão, no Curado (na Zona Oeste do Recife). Nenhuma está atendendo”, disse.
Com uma carteira do Pronto-Socorro Cardiológico de Pernambuco (Procape), Reginaldo Laurindo Gomes, disse que está com vários sintomas da Covid-19. Ele é cardíaco, hipertenso, além de ter sobrepeso, ou seja, integra o grupo de risco da doença.
Após utilizar a plataforma Atende em Casa, recebeu a recomendação de procurar uma UPA. “O médico disse para eu ir a uma UPA presencial. E as duas que eu liguei, não tem atendimento para ninguém. Me deram o telefone, liguei… Como é que vou saber se estou em estado grave?”, afirmou.
Resposta do governo
A Secretaria Estadual de Saúde informou que vem ampliando diariamente a rede estadual de saúde pra atender os casos suspeitos e confirmados da Covid-19 e que 886 leitos estão em funcionamento até esta terça-feira (5).
Ainda de acordo com a pasta, as 15 UPAs do estado continuam atuando como serviço pré-hospitalar, com atendimento inicial e estabilização de pacientes graves, sendo reforçadas com profissionais, respiradores e outros equipamentos.
O governo estadual também afirmou que, devido à alta procura, os casos mais graves são priorizados, e as pessoas com sintomas leves de gripe devem procurar os postos de saúde e as unidades básicas.
Em relação ao Atende em Casa, disse que o objetivo é evitar que as pessoas procurem as unidades de saúde de maneira desnecessária e que é a unidade de saúde que faz a classificação de risco do paciente.
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Arte/G1
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