Mulher é detida e arma é apreendida após confronto entre sem-teto, PM e GCM para retirar invasores de condomínio em SP

Mais de 1 mil pessoas que ocuparam conjunto habitacional na Zona Leste da capital saíram após ação de policiais e guardas no domingo (3). Imóveis seriam entregues aos verdadeiros donos. Desocupação de conjunto habitacional tem confronto entre manifestantes e PM
Uma mulher foi detida e uma arma acabou apreendida durante confronto entre um grupo de sem-teto, policiais militares e guardas-civis metropolitanos para retirada de invasores que ocupavam um conjunto habitacional na Zona Leste de São Paulo. O Globocop filmou o conflito na tarde de domingo (3) (veja vídeo acima).
De acordo com as forças de segurança, mais de 1 mil pessoas pularam muros e portões do Residencial Osório, no bairro Jardim Helena, no Itaim Paulista, e entraram em dois novos condomínios no local.
A mulher detida é investigada como suspeita de ser a responsável por organização a invasão e ocupação dos imóveis. O nome dela não foi divulgado.
Também foi apreendido um revólver calibre 32 após a reintegração de posse do lugar. Não foi informado quem é o dono da arma. Também não há registro de feridos.
O caso foi registrado no 50º Distrito Policial (DP), no Itaim Paulista, mas será investigado pelo 59º DP, Jardim dos Ipês, segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP).
Apartamentos invadidos
Os 330 apartamentos estão prontos, mas estavam vazios porque foram construídos para serem entregues aos verdadeiros donos. Os proprietários são pessoas de baixa renda. Eles estão há dez anos na fila de espera para poder realizar o sonho de pode comprar um imóvel por um preço que possam pagar.
A previsão inicial dos responsáveis pela construção dos prédios era de que parte deles fosse entregue em novembro de 2019 e a outra até o final de 2020. Os contemplados estavam inscritos em programas da Secretaria Municipal de Habitação e da Companhia Metropolitana de Habitação (Cohab).
Mas com os imóveis ainda desocupados, os sem-teto decidiram invadir o conjunto habitacional na noite de sábado (2). De acordo com a Polícia Militar (PM) e a Guarda Civil Metropolitana (GCM), cinco funcionários do lugar foram feitos reféns pelo grupo.
PM e GCM informaram que os sem-teto atiraram na direção deles quando chegaram na frente do residencial para negociar a desocupação do conjunto habitacional.
Em seguida, os agentes das forças de segurança decidiram avançar e entrar no condomínio.
Conjunto habitacional é invadido na Zona Leste de SP
Sem-teto pedem moradia
Nas filmagens feitas pelo helicóptero da TV Globo é possível ver sem-teto ateando fogo e quebrando janelas dos apartamentos. As cenas ainda mostram policiais atirando bombas de efeito moral e de gás para tentar dispersar os invasores.
Entre as pessoas que ocuparam os imóveis estava Verônica, grávida de oito meses. Ela decidiu pular o muro com outros quatro filhos e abandonar a ocupação ao ver o confronto entre policiais e sem-teto.
“Vamos embora por causa das crianças”, afirmou Verônica.
Outras pessoas, no entanto, resistiram à desocupação, fechando portões para ninguém mais entrar e sair. Elas alegavam que também precisavam ser assistidas pelo poder público.
“A gente quer moradia”, falou Solange Furtado, uma das negociadoras do movimento sem-teto que ocupou os apartamentos.
O confronto
Crianças da ocupação foram colocadas na linha de frente do grupo para tentar impedir a entrada dos agentes de segurança. Eles, porém, avançaram sem problemas.
A confusão ocorreu quando os PMs já estavam dentro do conjunto habitacional. Algumas pessoas, do grupo de invasores, lançaram pedaços de paus e pedras nos policiais.
Os PMs revidaram com bombas. Alguns sem-teto passaram mal ao inalar a fumaça.
Antes de os apartamentos invadidos serem desocupados, alguns vândalos depredaram os imóveis e derrubaram postes.
“Eles destruíram tudo dentro”, lamentou a dona de casa Eliane Arcanjo, proprietária de um dos imóveis que ainda serão entregues aos verdadeiros donos.
“Não é justo”, disse Fernanda Salvador Ferreira, subsíndica do residencial invadido, sobre a depredação.
Conserto
Segundo a Cohab, os seguranças do conjunto não conseguiram impedir a invasão.
“A questão foi violência mesmo”, alegou Alex Peixe, presidente da Cohab.
De acordo com o secretário municipal de Habitação, João Farias, a construtora responsável pela obra irá consertar o que foi destruído.

By Negócio em Alta