
Neblina cobre o céu de Curitiba em cenário onírico
Daniel Castellano/France Presse
Na distopia que vivemos, sonhar é despertar. Acordar na consciência pra gravidade da situação, entender o papel individual no coletivo. E ainda conseguir imaginar um futuro melhor depois que tudo isso passar. Anestesiar é pesadelo.
O que faremos com o privilégio da sobrevivência no pós-pandemia? A resposta está no presente. Na nossa mente. “Sonhar é preciso”, foi a principal conclusão depois de uma conversa com o neurocientista Sidarta Ribeiro, esta semana, na GloboNews:
Neurocientista avalia impacto da pandemia na qualidade do sono
“É uma tragédia. E isso tem que servir para alguma coisa. Pra gente se unificar enquanto país, pra gente ter um projeto de país. Passamos os últimos anos desmontando o Estado, a saúde, a educação, a ciência. Olha o preço que estamos pagando. E se não vamos pagar um preço maior ainda, é porque ainda temos o SUS, cientistas de ótimo nível trabalhando no país de forma abnegada. É preciso usar essa situação pra despertarmos coletivamente, pra necessidade de construir o país.”
Sidarta lembra que há mudanças profundas em andamento, em especial nas emoções. É assustador lidar com tanto medo, e ainda lembrar que nem todos têm as condições adequadas para o isolamento. Faltam travesseiros pra sonhar e enfrentar esses fantasmas. Todos merecem a oportunidade de um sono melhor.
Como andam seus sonhos na pandemia? Aliás, você tem dormido? Sempre ajuda se afastar dos aparelhos eletrônicos, evitar exercícios físicos intensos e alimentos pesados uma hora antes de se deitar. É no bom sono que está o despertar necessário.
“A gente precisa de uma disciplina que permita ao sono fazer o trabalho dele. Sono é um dos estados fisiológicos mais saudáveis, necessário pra desintoxicar o corpo, o cérebro, em particular. Consolidando as memórias, podemos sonhar e imaginar estratégias para o futuro”, lembra.
A utopia na distopia. Sonhar é preciso. Sidarta garante que isso nos ajudará numa reorganização, para estarmos mais unidos em torno do que é importante agora: proteger vidas.
“A gente não pode se desesperar. Esse é um momento de usarmos a sabedoria adquirida, o que a gente pode utilizar pra construir um futuro melhor. Se nós nos desesperarmos, e deixarmos os mais frágeis, os mais vulneráveis, morrerem como moscas, sem a solidariedade dos mais ricos, nós vamos nos desmontar como sociedade. O tecido social vai se esgarçar”.
Marido pede esposa em casamento pela segunda vez
Há alguns dias, vários telespectadores pediram por mais boas notícias. Fui dormir pensando nisso, tive muitos sonhos. E, nesta semana, encerramos cada exibição do Edição da Dez com alguma história de amor e superação de pacientes com a Covid-19, em hospitais do país. O vídeo acima é uma delas. O futuro desejado é, sim, possível.
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