Durante pandemia, muçulmanos adaptam Ramadã e ações de solidariedade no Ceará


Com templos fechados, adeptos do Islamismo fazem suas orações em casa e tentam ajudar quem não pode trabalhar na quarentena. FORTALEZA – Calçadão da Beira Mar, que normalmente é lotado de transeuntes e pessoas praticando atividades físicas, é esvaziado durante a pandemia do novo coronavírus
Thiago Gadelha/SVM
De 23 de abril até 23 de maio, muçulmanos de todo o mundo comemoram o Ramadã, nono mês do calendário lunar, pelo qual eles guiam seu ano religioso. O período marca o surgimento do Corão, quando o profeta Mohammad começou a escrevê-lo após o aparecimento do anjo Gabriel.
No entanto, a tradição que é marcada pelo jejum durante o dia, acompanhado de orações, teve que ser adaptada nestes tempos de pandemia e isolamento social.
Normalmente, após um dia inteiro de abstenção de comidas, bebidas (incluindo a água), relações sexuais, cigarros e remédios, os muçulmanos se reúnem para fazer a oração específica da noite para o Ramadã (chamada de Tarawīh) e o desjejum diário (chamado de iftār). Este ocorre sempre ao anoitecer e antes de amanhecer, durante o mês inteiro.
No entanto, não é o que está acontecendo. A biomédica Aishah Barletta conta que está louvando a Alá sozinha, sem o marido, que mora com ela. “Começamos juntos, mas a mãe e as tias (que são como mães no Islamismo) estavam precisando de ajuda, então ele foi ficar com elas. Todas têm mais de 60 anos”, explica.
Aishah espera poder estar no primeiro dia do mês lunar de número dez (chamado de Shawwāl) com seu marido. Na data conhecida como ‘Eid al-fitr, que marca o fim do Ramadã, muçulmanos se reúnem para celebrar, louvar a Alá e desejar, uns aos outros, que o jejum e as boas ações feitas no mês anterior sejam aceitas.
Apesar da saudade e da tristeza em não poder passar esse mês tão importante para a religião ao lado de amigos e da família, ela entende as medidas de isolamento que não só o casal adotou, mas também o Centro Islâmico de Fortaleza.
“Não sei como estará a situação até lá ( ‘Eid al-Fitr), mas o Centro Islâmico só irá abrir depois que isso passar, para não colocar em risco as pessoas da comunidade e as de fora da comunidade (islâmica) também.”
O marido, o químico Yahya Simões, reitera a posição da esposa de obedecer as regras de contenção. “É dito coisas como ‘fuja da lepra como se foge de um leão’ e também ‘não coloque os animais saudáveis para comer junto com os doentes’. Ou seja, devemos confiar em Alá, mas também devemos fazer nossa parte.”, explica.
Solidariedade
Aishah comenta que o período também serve para praticar boas ações, mais importantes que nunca, tendo em vista a crise econômica e social que a paralisação das atividades econômicas potencializa.
“Sabemos que há irmãos com dificuldade financeira e é dever de cada um de nós cuidar deles, ajudar de acordo com a nossa capacidade e fazer caridade a essas pessoas. Mesmo que haja pessoas que não sejam da mesma fé, mas estejam em necessidade, deve-se ajudá-las”, diz seu marido, Yahya.
Apesar de dinheiro para comprar alimentos, por exemplo, ser importante para a sobrevivência, nem só de bens de consumo se faz a solidariedade. Aos menos favorecidos financeiramente, no Islã, a Sadaqa, que é a caridade voluntária, pode ser praticada.
“Você ajuda alguém com aquilo que você pode, seja palavras de conforto para aquela pessoa que está precisando, tirar uma casca de banana ou caco de vidro do caminho para que as pessoas não se machuquem”, diz.
Covid-19 no Ceará
O número de casos de Covid-19 no Ceará chegou a 8.309 conforme dados divulgados pela Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), na plataforma IntegraSUS, por volta de 17h16 deste sábado (2). O número de mortes passou de 590 entre a atualização da manhã para 638 no fim tarde.
Fortaleza concentra a maioria dos registros, com 6.353 diagnósticos positivos
AFP
No intervalo de 24 horas foram confirmados 99 óbitos no estado, levando em consideração o boletim das 17 horas desta sexta-feira (1º), quando foram registrados 539 óbitos pela doença.
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Governador do Ceará vai prorrogar decreto de isolamento e avalia medidas ainda mais rígidas
Fortaleza, epicentro da contaminação pelo vírus no estado, também registra aumento nos casos, com 6.353 diagnósticos e 498 mortes em decorrência da Covid-19.
Os números apresentados pela Secretaria da Saúde fazem referência à disponibilidade dos resultados dos testes para detectar a presença dos vírus, o que não corresponde necessariamente à data da morte ou do início da apresentação dos sintomas pelo paciente.
Veja outras informações da plataforma divulgadas neste sábado (2):
São 24.408 casos suspeitos;
27.140 testes realizados;
A taxa de letalidade da doença no CE é de 7,7%;
149 municípios cearenses tiveram diagnósticos positivos da Covid-19.
Medidas de isolamento mais rígidas
O governador do Ceará Camilo Santana afirmou, no início da noite desta sexta-feira (1º), que vai prorrogar o decreto de isolamento social e que avalia medidas ainda mais duras, principalmente, em Fortaleza. O atual decreto proíbe, até 5 de maio, aglomerações e o funcionamento de serviços não essenciais em todo o estado. (veja no vídeo abaixo)
Governo do Ceará e prefeitura de Fortaleza convocaram coletiva e fizeram apoio para que a população contribua com distanciamento social
“Estamos aqui discutindo, não só a necessidade, que com certeza faremos, da prorrogação do decreto que vence na próxima terça-feira, mas estamos avaliando a necessidade de endurecermos as medidas aqui na capital, aqui em Fortaleza”, disse o governador, durante coletiva de imprensa com o prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio.
Curva em ascensão
Durante a coletiva, Camilo Santana também anunciou a abertura de 100 novos leitos de unidade de terapia intensiva (UTI) até o fim da próxima semana em Fortaleza. Além disso, declarou ainda que o Centro de Formação Olímpica (CFO), localizado no Bairro Castelão, também terá estrutura para atender casos de Covid-19 com menor complexidade.
Apesar da ampliação dos leitos, os chefes do executivo estadual e municipal alertaram que a população deve contribuir de forma mais efetiva com o isolamento social, tendo em vista que o atendimento disponível nas unidades de saúde não deve conseguir acompanhar a evolução rápida dos casos de Covid-19 no estado.
“A velocidade do número de casos tem sido maior do que a nossa implantação de leitos aqui na capital. Há uma necessidade de diminuir essa velocidade para garantir que as pessoas possam ser atendidas, possam ter direito a ter um leito hospitalar”, pontuou Camilo.
“Não haverá leitos suficientes se não houver isolamento efetivamente cumprido”, complementa Roberto Cláudio.
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Foto: Infografia/G1
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By Negócio em Alta