Rebelião com reféns em presídio de Manaus terminou com 17 feridos, diz governo


Secretaria afirma que não houve registro de mortes. Motim teve início por volta das 6h deste sábado (2) e durou cerca de cinco horas. Presos da UPP, em Manaus, sobem no terraço da unidade durante rebelião
Carolina Diniz
Dezessete pessoas ficaram feridas durante a rebelião que aconteceu na manhã deste sábado (2) na Unidade Prisional do Puraquequara (UPP) em Manaus, segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP). Sete agentes de ressocialização foram feitos reféns e libertados com vida. Entre os feridos, dez agentes prisionais.
Em nota, a SSP-AM afirma que três agentes teriam se machucado ao pular das muralhas. Cinco presos e dois policiais militares tiveram ferimentos durante as negociações, que duraram aproximadamente cinco horas.
“Todos os reféns estão bem, alguns um pouco machucados porque estavam com estoques no pescoço. O objetivo dessa rebelião era fazer uma fuga, eles estavam cavando um túnel, o que não estavam conseguindo fazer no dia a dia. A tropa entrou, dominou a cadeia, ninguém ferido gravemente, só alguns policiais levaram pedradas e estão machucados”, esclareceu o secretário de segurança, coronel Louismar Bonates.
Detentos da Unidade Prisional do Puraquequara (UPP), na zona leste de Manaus, realizaram motim na manhã deste sábado (2)
Carolina Diniz/G1AM
Há mais de um mês, a Pastoral Carcerária Nacional enviou à Defensoria Pública do Amazonas e à Justiça do Estado um documento que listava diversas denúncias de violações de direitos de presos da Unidade Prisional do Puraquequara.
A operação para restabelecer a ordem na unidade contou com efetivos do Grupo de Intervenção Penitenciário e das tropas especializadas da Polícia Militar (Rocam, COE, Marte, CipCães), o Departamento de Operações Aéreas da Secretaria de Segurança e o Corpo de Bombeiros.
Segundo o secretário de Administração Penitenciária, coronel Marcos Vinicius, a rebelião ocorreu após duas tentativas de fuga terem sido frustradas. Após o motim, as equipes policiais realizaram uma vistoria no local e encontraram o início de um túnel em uma das celas, informou a SSP.
“Existe uma necessidade de fuga, eles tentaram por duas vezes fazer túneis de fora para dentro, como eles viram que não tinha condições, porque a rotina lá dentro é muito forte, eles criaram todo esse pano de fundo para tentar criar uma distração e cavar o túnel de dentro para fora. O túnel está lá, já detectamos, tem escadas, tem tudo, e nós conseguimos impedir que eles conseguissem êxito”, disse coronel Marcos Vinicius.
Buraco dentro de cela foi encontrado em vistoria após rebelião na UPP, em Manaus, neste sábado (2)
Divulgação/SSP-AM
De acordo com a SSP, parte da unidade prisional foi destruída durante a rebelião. Houve depredação de grades, bebedouros, telhado e grades.
A Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) informou que não descarta transferência de presos que organizaram o motim. Uma investigação será aberta para identificar os responsáveis. No momento, é realizada a contagem dos presos e revista dentro das celas.
Coronavírus, restrições e tensão no sistema
No Amazonas, dois presos já testaram positivo para Covid-19, apesar das medidas restritivas adotadas desde a chegada da pandemia ao estado. Um dos casos foi confirmado no Centro de Detenção Provisória I e outro em uma cadeia de Parintins, no interior.
Parente de preso chora na porta de presídio com cartaz onde diz: “Não é rebelião, estão reinvindicando seus direitos”
Carolina Diniz
Sem visitas e vivendo sob novas restrições como o isolamento de presos recém-chegados, o sociólogo e pesquisador do Laboratório de Estudos da Violência da Universidade Federal do Ceará (UFC), Ítalo Lima, explicou que as tentativas de fuga poderiam ser comuns.
“As tensões são muito elevadas. Se a situação piorar, ela pode ficar incontrolável e o Sistema Prisional do Amazonas, apesar das intervenções Federais que acontecem também não apresentarem uma situação muito favorável em respeito à segurança. Acho que um reflexo da pandemia seria um motim”, comentou.

By Negócio em Alta