
Ismenia Benta Cardoso Martinez, de 67 anos, morreu em Joinville e tinha seis filhos. Ismenia Benta Cardoso Martinez morava em Joinville
Andréa Cardoso Martinez Menezes/ Arquivo pessoal
A família de Ismenia Benta Cardoso Martinez, que morreu com coronavírus em Joinville, passa por momentos de luto e de incertezas sobre a infecção. A vítima de 67 anos tinha histórico de insuficiência cardíaca, renal, diabetes e sofreu dois infartos. No município, que fica no Norte catarinense, foram registradas cinco mortes por Covid-19 e 174 casos confirmados, conforme o boletim divulgado na sexta-feira (1°) pela Secretaria Estadual de Saúde.
Em 29 de abril, Ismenia morreu e deixou seis filhos, entre eles a professora Andréa Cardoso Martinez Menezes. Ela explica que desde o início da pandemia os cuidados foram redobrados na prevenção, principalmente por causa das doenças preexistentes da mãe. “Tomamos os devidos cuidados sempre, pois sabíamos dos riscos, até porque o médico falou que, se ela tivesse [infecção pela Covid-19], poderia acometer muito rápido, pois os órgãos principais dela já estavam comprometidos”, explicou.
Ismenia nasceu em Canoas (RS) e chegou há 32 anos em Joinville. Segundo a filha, a mãe era uma pessoa alegre.
“Em todas as homenagens, todos sempre exaltam o sorriso largo, a gargalhada boa e o coração enorme. Para nós, ela foi guerreira e muito amada por todos”, disse Andréa.
Internações e tratamentos
Andréa disse acreditar que foi entre as idas e vindas para atendimento nas unidades de saúde, que pode ter sido a causa da contaminação pelo novo coronavírus. No dia 12 de abril, a mãe precisou de atendimento médico após sofrer de um infarto. Ela ficou internada e recebeu alta no dia 17.
“Ela estava recebendo todos os cuidados de alguém que sofreu um infarto e que já tinha algumas limitações. Mas ela andava, falava, comia. Depois do dia 21, já não teve mais vontade de se alimentar e foi querendo ficar só na cama. Ela não tinha febre”, lembra.
Ismenia foi internada pela segunda vez no dia 23 após sofrer um novo infarto, segundo a filha. “Ela realizou o teste dia 27 e o resultado saiu depois de dois dias, quando falaram o resultado do boletim. Sei que ela estava com o vírus pois aqui todos os que estiveram com ela estão tendo os sintomas. Mas, na minha mãe, as doenças já preexistentes levaram ela a óbito antes da parte mais triste desta doença”.
A filha Andréa lembra que depois disso não pôde acompanhar a internação e também ficou sem contato telefônico. “Nós pedimos para falar com ela pelo menos para contar que estávamos aqui rezando e torcendo por ela, ela ficou de ligar e, quando me ligaram, foi para dizer que ela tinha vindo a óbito. Isso foi terrível. Também ter reconhecido o corpo dela por foto e não velar, é horrível “, afirma a filha.
Sem acompanhamento dos órgãos de saúde, a família decidiu se isolar e algumas pessoas tiveram sintomas leves da doença. “Acho muita negligência isso, porque ninguém nos procurou, nos orientou. Fizemos o isolamento por nós, pela nossa consciência. O Brasil não está preparado e penso, que, claro deve estar sendo difícil dentro dos hospitais, mas a parte humana tem que existir”, afirma.
Moradora de Joinville era conhecida pelo sorriso largo e gargalhada boa
Andréa Cardoso Martinez Menezes/ Arquivo pessoal
Dúvidas e saudades
Além do difícil momento de luto, os familiares que acompanharam Ismenia nos últimos dias convivem com a dúvida de ter contraído a infecção. “Só depois que ela foi é que começamos a ter os sintomas, pois não sabíamos que ela estava [com a doença], acreditamos que se nós estivéssemos passado para ela teríamos os sintomas antes. Temos que deixar a dor de lado e pensar na nossa saúde. Precisamos estar bem emocionalmente para então esse vírus ir embora de uma vez”, disse.
Número de casos confirmados de coronavírus é de 2.104 em SC
Initial plugin text
Sem categoria
